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Com mais de 800 grupos de pesquisa, a UFMG é a campeã de registros de patentes entre as federais do país

Com mais de 800 grupos de pesquisa, a UFMG é a campeã de registros de patentes entre as federais do país



Aeronáutica, biodiesel, dengue, nanopartículas e redes sociais são algumas das áreas desenvolvidas pela instituição

Nos 3,3 milhões de metros quadrados do câmpus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) há espaço para muito mais do que salas de aula e bibliotecas. No Instituto de Ciências Biológicas, dezenas de congeladores reproduzem o clima da Antártica em um laboratório. Eles mantêm vivos os fungos trazidos do Polo Sul para que sejam aliados no combate a doenças tropicais. Em um galpão que mais parece um labirinto, no departamento de engenharia mecânica, a criatividade ganha asas. Ali nasceu o tênis com sistema de amortecimento inspirado no pulo de um gato, a aeronave leve mais rápida do mundo e um carro, com design de nave espacial, capaz de percorrer 598 quilômetros com apenas 1 litro de combustível. A extensa lista de pesquisas inovadoras fez a UFMG tornar-se a instituição federal campeã em pedidos de registro de patente no Brasil, com 923 processos abertos em seus quase noventa anos de história.

Em meio a tubos de ensaio e microscópios surgem projetos e tecnologias que ultrapassam as fronteiras da universidade. Os resultados das pesquisas chegam à saúde pública, à indústria e à vida das pessoas por intermédio de convênios assinados diariamente na Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT). “Além dos benefícios diretos para a sociedade, esse conhecimento ajuda na formação dos alunos, que vivem em um ambiente de inovação e entram no mercado de trabalho com um olhar diferenciado”, diz o reitor Jaime Ramírez. Confira nesta e nas próximas páginas uma amostra da genialidade no câmpus.

Em busca de cura na antártica
São quinze horas de voo ou 22 dias a bordo de um navio para chegar à Ilha Rei George, sede da estação científica do Brasil na Antártica. Ao desembarcarem no Polo Sul, os pesquisadores precisam driblar o frio – de até 15 graus negativos no verão – para iniciar a coleta de rochas e algas marinhas. Depois, no laboratório, extraem fungos capazes de produzir substâncias que serão usadas no combate a doenças como dengue e leishmaniose. “Isolada em um ambiente primitivo, a Antártica tem fungos com moléculas que podem produzir novos remédios”, diz o biólogo Luiz Henrique Rosa. Neste mês, Rosa embarca para sua oitava expedição. Coordenador do programa MycoAntar, ele tem parcerias firmadas com instituições como Embrapa e Fiocruz para o desenvolvimento de medicamentos.

Carlos Hauck/Odin

 

Salto de criatividade
Já imaginou ter um esqueleto na parte externa do seu corpo ajudando a caminhar mais rápido, a carregar maior quantidade de peso e a manter a postura correta? O Laboratório de Análise de Movimento da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG se inspirou em roupas de astronautas russos para criar um macacão com todas essas propriedades. A peça – útil para atletas de alto desempenho, como o ginasta Paulo César dos Santos, e pessoas com limitações de movimentos – recebeu o Prêmio de Relevância Acadêmica da universidade e já foi patenteada no Brasil, nos Estados Unidos, no Japão e em países da Europa. “A inovação está na arquitetura de tiras de elástico que cruzam a roupa e funcionam como um exoesqueleto capaz de diminuir o gasto de energia e melhorar a performance”, explica o fisioterapeuta Sérgio Fonseca, coordenador da equipe que criou o protótipo em 2008 e trabalha para comercializar o produto a partir do ano que vem.

Carro do futuro
Economia é a palavra de ordem no Centro de Tecnologia da Mobilidade da UFMG. Há quase uma década professores e estudantes se empenham em vencer o desafio de percorrer 1 000 quilômetros com apenas 1 litro de gasolina. A meta ainda está longe de ser alcançada, mas, durante a preparação, os pesquisadores da universidade conseguiram quebrar o recorde nacional ao atingir a marca de 598 quilômetros com 1 litro de combustível. “A tecnologia que é testada nas maratonas de eficiência energética migra para a indústria automobilística”, afirma o engenheiro mecânico Fabrício Pujatti, coordenador do projeto Milhagem.


Sentimentos na web

Diga-me o que curte e eu direi quem você é. O comportamento dos usuários do Facebook, do Instagram e de outras redes sociais se transformou em objeto de pesquisa na UFMG. Financiados pelo Google, alunos e professores do Observatório da Web analisam comentários e compartilhamentos na internet e extraem desse grande volume de dados as informações necessárias para medir tendências nas eleições, ameaças à segurança em eventos do porte da Copa do Mundo e o risco de disseminação de doenças como a febre chikungunya. “Criamos uma plataforma que captura dados e produz um conhecimento que será útil para o planejamento de ações de governo e empresas”, explica o doutor em ciência da computação Wagner Meira Júnior.

Gustavo Andrade/Odin

 

Do biodiesel, nada se perde
As paredes do Laboratório de Química Ambiental e Novos Materiais da UFMG têm ouvidos. E o melhor: elas não guardam segredo. Cada descoberta e cada invenção dos pesquisadores da universidade ganham rapidamente o mercado. Uma das mais recentes criações foi financiada pela Petrobras: trata-se de um plástico ecologicamente correto feito a partir da glicerina, um resíduo impuro do biodiesel que normalmente é descartado por causa de seu baixo valor comercial. “Usamos tecnologia própria e produtos brasileiros para fabricar um petroquímico verde”, diz o químico Luiz Carlos de Oliveira, que tem quinze patentes depositadas, ganhou uma medalha do Prêmio Jovem Cientista e é vencedor de três edições do Prêmio Petrobras de Tecnologia.

o céu é o limite
Quatro recordes mundiais e o título de aeronave leve mais rápida do planeta, concedido pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI). O currículo pertence ao CEA-308, avião construído no câmpus Pampulha. Em um longo processo que inclui cálculos, montagem, testes em solo e voos, quarenta alunos de graduação se envolvem a cada ano nos projetos aeronáuticos da UFMG. “Quem é capaz de quebrar recordes derruba qualquer barreira no futuro”, diz o engenheiro mecânico Paulo Iscold. O pesquisador da UFMG é considerado o cérebro brasileiro na vitória do piloto inglês Paul Bonhomme, na Red Bull Air Race, uma das mais importantes corridas de aviões do mundo. Foi Iscold quem fez as adaptações na aeronave do piloto.

A primeira patente a gente nunca esquece
A receita para matar a fome parece óbvia: uma cesta básica com arroz, feijão, fubá, óleo, farinha de trigo e vitaminas. Mas a ideia de processar todos esses alimentos e criar um composto capaz de combater a desnutrição infantil é mérito do médico imunologista Munir Chamone. Há exatos 25 anos, ele desenvolveu o Pão Forte, a primeira patente obtida pela UFMG. Hoje, 13 000 crianças de Minas e outros cinco estados são beneficiados com a mistura distribuída gratuitamente em postos de saúde e escolas públicas. “Vi pesquisadores passar anos analisando uma única célula no microscópio, mas eu quis ir para a rua, que funciona como um laboratório vivo, para estudar e propor soluções para a sociedade”, diz Chamone, que, mesmo depois da aposentadoria, não abandonou o projeto.

Uma Luta contra a dengue
Belo Horizonte terminou o mês de outubro com quase 3 000 casos de dengue registrados neste ano, e Minas ultrapassou a marca das 58 700 notificações. Se depender de uma tecnologia criada na UFMG, no entanto, tristes estatísticas como essas estão com os dias contados. A arma para o combate à doença é um tijolo quimicamente tratado que, em contato com a água e a luz solar, libera uma substância que impede a proliferação do mosquito Aedes aegypti. “Como o tijolo é poroso e capaz de flutuar, a proposta é colocar vários pedacinhos na caixa-d’água e nos vasos de planta para bloquear o desenvolvimento do inseto”, explica o químico Jadson Belchior, que registrou o pedido de patente do produto no país e no exterior. Depois da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o invento será testado na capital.

Gustavo Andrade/Odin

 

Nanopartículas para a indústria
Feixes de raios laser cruzam o Laboratório de Óptica e a forte luz azul ajuda o físico Marcos Assunção Pimenta a estudar, ao lado de um aparato de microscópios e lentes, o nanotubo de carbono – uma mínima fração de um átomo do elemento químico. “Analiso as características desse material que é 100 000 vezes mais fino que um fio de cabelo”, diz. O minucioso trabalho feito no departamento de física da UFMG rendeu à universidade a chance de sediar o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Nanomateriais de Carbono. Com o apoio de outros 54 cientistas de todo o país, Pimenta desenvolve, no câmpus Pampulha, novas formas de usar a partícula, que é mais resistente e mais leve que o aço, na construção civil e na indústria farmacêutica. “Queremos acabar com o abismo existente entre as pesquisas acadêmicas e o setor industrial”, afirma Pimenta.

O pulo do gato
Os duelos entre Tom e Jerry não seriam tão divertidos sem os inesquecíveis saltos do felino na tentativa de capturar o rato rival. Tampouco o Gato de Botas teria feito tanto sucesso sem sua habilidade de escapar das quedas de grandes alturas. Pois foi exatamente o segredo guardado dentro da delicada pata de um bichano que inspirou o engenheiro mecânico Marcos Pinotti a projetar o tênis Aerobase. Patenteado pelo Laboratório de Bioengenharia, o calçado rendeu à UFMG o primeiro cheque de royalties da sua história. “Uma empresa do polo calçadista de Nova Serrana está produzindo o tênis com o novo sistema de amortecimento, que já foi apresentado em dez países”, diz Pinotti, também criador de uma luva robotizada que lhe rendeu, há dois anos, o Prêmio Inovação do Ministério da Educação.

Por Glória Tupinambás
Fonte: Revista Veja BH
05/11/2014

 

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