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Padrão internacional na pós-graduação



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Reitoria UFMG – Foto: Eber Faioli

Trinta e um dos 63 programas de doutorado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foram classificados com conceitos 6 e 7 na avaliação trienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), divulgada em dezembro. O índice coloca a UFMG na liderança entre as universidades brasileiras e assegura que tais cursos estão em conformidade com padrões internacionais de excelência.

“São 49,2% dos programas de doutorado classificados com conceitos 6 e 7, enquanto a média nacional é de 10%”, comemora o reitor Clélio Campolina. “A UFMG foi a universidade brasileira com o maior percentual de excelência”, observa. O reitor destaca ainda que a UFMG teve sete trabalhos premiados entre 48 áreas de conhecimento na edição 2013, o maior índice entre as universidades brasileiras. “A Universidade está entre as maiores do Brasil, fato que nos alegra e recompensa pelo esforço empreendido”, completa.

Os resultados da avaliação trienal 2013 também revelam que a maioria dos programas de pós-graduação da UFMG está classificada com o conceito 5, o máximo para programas que contemplam apenas o nível de mestrado. “Toda a nossa pós-graduação, do mestrado ao doutorado, teve um resultado muito positivo”, diz o reitor.

Campolina atribui a boa colocação aos programas de internacionalização e à excelência dos professores e alunos. Ele destaca a existência de cinco Centros de Estudos Internacionais – América Latina, África, Europa, China e Índia – e indica o caminho para novos avanços: “Precisamos melhorar cada vez mais nossos centros de pesquisa e aproximar a universidade do mercado”, diz.

Nesse sentido, destaca a criação da Fundep Participações S.A. (Fundepar), que considera uma iniciativa auspiciosa. “A empresa será indispensável para a ligação entre o mundo acadêmico e o mercado brasileiro e mundial”, comenta. “O desenvolvimento da economia brasileira depende de novas descobertas, pesquisas e inovação. Sabemos que o timing acadêmico é diferente do ritmo do mercado, por isso a importância da Fundepar. Ela irá fazer essa ligação entre os dois universos. É uma iniciativa avançada que segue as tendências das universidades estrangeiras. Estamos plantando mais esta semente na UFMG, a primeira no Brasil a realizar um projeto como esse”, acrescenta.

Quem também destaca a internacionalização da UFMG como fator do êxito na avaliação da Capes é o professor da Faculdade de Odontologia e pró-reitor de pós-graduação, Ricardo Santiago Gomez, no cargo desde 2010. “Atualmente, todos os projetos da UFMG visam à inserção mundial. Temos nos preocupado em publicar artigos em revistas conhecidas no exterior e podemos observar um grande número de alunos fazendo estágios em universidades renomadas fora do país. Temos também um grande número de professores estrangeiros sendo convidados e realizando visitas aqui na Universidade. Embora isso seja uma tendência em outras universidades brasileiras, a UFMG saiu na frente neste processo”, observa.

Gomez lembra que 2012 foi o primeiro ano em que o número de alunos inscritos no doutorado foi maior que no mestrado, fator que também reflete no resultado da avaliação. “Temos 119 alunos a mais no doutorado. Um fato inédito que influencia positivamente neste resultado, pois os projetos de doutorado são mais consolidados que os de mestrado”, diz, observando que foi qualidade dos projetos de ambos os programas que garantiu a boa colocação.

O médico e professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Pedro Guatimosim, diretor da Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT), é categórico ao afirmar que a boa avaliação da UFMG é resultado de um grande investimento do atual reitorado em ciência, tecnologia e desenvolvimento. “Houve um apoio maior à pós-graduação e um imenso trabalho junto aos professores para melhorar cada vez mais o nível das pesquisas, além do incentivo às publicações de alta qualidade”, diz.

Guatimosim diz que este resultado é um reflexo da seriedade com que a pesquisa é encarada na UFMG e cita a Fundepar como um complemento deste processo. “A Fundepar terá um papel muito importante na geração de produtos advindos da pesquisa. São ações complementares e a escolha da UFMG como foco principal da Fundepar contribuirá muito para a geração de produtos”, avalia.

O diretor da CTIT, instituição responsável pela comercialização das inovações geradas na UFMG e proteção do conhecimento, ressalta que a Fundepar atuará numa área carente do mercado e onde os pesquisadores encontram mais dificuldades. “Temos muitos apoios à pesquisa e tantos outros para empresas, mas temos dificuldades em provar nossos conceitos ao final de cada pesquisa. Por isso, a Fundepar será tão importante nesse processo.”

Elo que faltava

Na visão do professor Marco Crocco, presidente da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa da UFMG (Fundep) e um dos criadores da Fundepar, empresa que também dirige, o resultado da avaliação da Capes mostra que a Universidade está no rumo correto. “Não existe coincidência”, garante. “A UFMG vem ganhando seguidos reconhecimentos à qualidade de sua produção e tem elevado ano após ano seus índices de publicações científicas e de patenteamento, numa prova inequívoca de maturidade”, destaca.

Nesse sentido, observa, a Fundepar será um elo importante da cadeia que possibilitará a transferência dos produtos e pesquisas desenvolvidos na UFMG para a sociedade. O conceito que originou a Fundepar se sustenta na promoção do spin off da produção científica e acadêmica para o universo da produção. A Fundepar irá aportar capital e conhecimento nos projetos da UFMG. “Estamos em consonância com as políticas internacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação”, afirma Crocco. O modelo da Fundepar segue as diretrizes da Economia do Conhecimento, na medida em que incentiva o capital intelectual da Universidade a atuar em um novo modelo de produção e transferência do conhecimento para a sociedade.

Crocco reconhece que, pelo lado do setor produtivo, ainda existe dificuldade em inovar e não há uma tradição de buscar o conhecimento nas universidades. “A Fundepar vai facilitar esse diálogo por meio da indução”, afirma. “Os recursos aportados criarão oportunidade para que as pesquisas tenham aplicação prática e gerem benefícios para a população, seja em inovação, geração de emprego, renda e qualidade de vida”.

A avaliação

Na Avaliação Trienal 2013, referente ao período 2010-2012, foram analisados 3.337 programas de pós-graduação, que compreendem 5.082 cursos, sendo 2.893 de mestrado, 1.792 de doutorado e 397 de mestrado profissional.

Ao anunciar os resultados, o ministro Aloizio Mercadante, da Educação, destacou a evolução do Sistema Nacional de Pós-Graduação. “Comparando com a avaliação de 2010, podemos perceber como o modelo é consistente; o sistema possui uma trajetória constante de expansão e melhoria”, afirmou.

Já o diretor de avaliação da Capes, Lívio Amaral, destacou que o aumento das notas ocorreu a despeito da avaliação mais rigorosa. “O sistema de avaliação é feito de maneira comparativa. Como o crescimento não é apenas numérico, mas qualitativo, o que percebemos é um progresso na produção acadêmica dos programas”, explica.

Na Avaliação Trienal da Capes, os cursos são avaliados na seguinte escala: conceitos 1 e 2, que descredenciam o programa; 3, que significa desempenho regular, atendendo ao padrão mínimo de qualidade; 4, considerado bom; e 5, nota máxima para programas com apenas mestrado. Os conceitos 6 e 7 indicam desempenho compatível com o padrão internacional de excelência.

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