Destaques

biotecnologia

Detechta

Nova investida da Fundepar



Formalizada parceria com a empresa Detechta, que realiza pesquisa e desenvolvimento para a indústria de vacinas e diagnósticos para o mercado veterinário e humano

Colaborando para a transferência de conhecimento para a sociedade, a Fundep Participações S.A (Fundepar) disponibiliza apoio a empresas emergentes inovadoras. A todo vapor com essa diretriz, a Fundepar formalizou o quarto aporte, nessa segunda-feira, 21 de setembro. A investida é a Detechta, empresa de base tecnológica voltada à pesquisa e desenvolvimento para a indústria de vacinas e de diagnóstico in vitro, tanto para o mercado humano quanto para o animal.

Idealizada pelos professores Ricardo Tostes Gazzinelli e Flávio da Fonseca, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, e pela professora Ana Paula Fernandes, da Escola de Farmácia da UFMG – pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas (INCTV) –, a Detechta atua na produção de vacinas, no segmento de testes rápidos e no desenvolvimento de novas tecnologias para diagnósticos mais precisos. “Nós temos experiência na área de desenvolvimento de vacinas veterinárias. Já está no mercado a Leish-Tec, vacina contra leishmaniose visceral canina, a primeira recombinante feita no Brasil; e outras foram e estão sendo criadas com a tecnologia recombinante do INCTV. Além disso, temos um programa de desenvolvimento de testes rápidos para campo e estamos produzindo outra plataforma para diagnóstico ainda mais inovadora. Os testes e diagnósticos incluem a identificação de doenças como leishmaniose, dengue, doença de Chagas e pretendemos ampliar o leque”, explica Gazzinelli. Segundo o professor Flávio, a intenção é uma atuação ampla: “Trabalhamos desde a prevenção, com as vacinas, aos diagnósticos e testes para identificação de doença e também para confirmação da proteção”.

Detechta 3

Investindo em inovação

Os recursos oferecidos pela Fundepar serão aplicados para inserir os produtos da Detechta no mercado. Com a parceria, a Fundepar se torna sócia do empreendimento. “Esse projeto é alinhado ao perfil esperado pela Fundepar. A decisão pelo apoio considerou o corpo técnico de alto nível de qualidade e que trabalha com tecnologia disruptiva, o mercado de atuação, que é de grande relevância científica e social, e, ainda, as contribuições que a Fundepar pode realizar”, diz o diretor da Fundepar, Ramon Dias de Azevedo.

Para a formalização da parceria, a Fundepar vem acompanhando a Detechta há cerca de dois anos. “Contamos com um suporte fundamental da Fundepar nas questões de gestão, plano de negócio e direcionamento das ideias. Aprendemos muito nesse período, estabelecemos uma relação de confiança e interesse mútuo”, afirma o professor Gazzinelli, que complementa: “acreditamos que, com essa parceria, a Detechta será bem sucedida”.

A professora Ana Paula também tem expectativas positivas: “Quando se pode contar com um parceiro como a Fundepar, que investe e ainda facilita todo o processo relativo à administração, legislação, análise de mercado, relacionamento com a indústria e comércio – entre outras questões que muitas vezes nós, pesquisadores, não conseguimos conciliar com as nossas principais atividades –, sentimo-nos mais confiantes. Desconheço uma parceira como a Fundepar, que oferece esse suporte para que a UFMG siga esse campo de ‘inovar em inovação’”.

Detechta 2

Portfólio Fundepar

A Fundepar possui, além da Detechta, outras três investidas: a Myleus Biotecnologia, que é a primeira empresa brasileira a atuar na área de análises genéticas para certificação de produtos de origem animal e vegetal; o Techmall, cujo foco é promover a aceleração do desenvolvimento de startups de base tecnológica arrojada; e a Zunnit, especializada em ferramentas de segmentação, análise do comportamento de usuários e deep learning.

Equipe da empresa Myleus faz teste de DNA para certificar origem de produtos. Na foto, Marcela Drummond, Pollyana de Carvalho, Estevam Bravo Neto e Rafael Palhares

Teste de DNA com tecnologia de startup mineira garante qualidade de produtos



Foram aplicadas análises em pescados no Sul do Brasil e comprovaram fraude. Outros alimentos, como laticínios e carnes, podem passar pelo processo

Resultados de uma ação desenvolvida em Florianópolis (SC), com base em tecnologia de uma startup mineira que teve como investidor um fundo nascido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Myleus Biotecnologia, foram recentemente apresentados em evento em Belo Horizonte, e indicaram que testes de DNA podem mostrar se um alimento foi fraudado. O trabalho feito no ano passado na ilha, localizada no Sul do Brasil, permitiu a identificação de peixes comercializados clandestinamente. Os resultados foram documentados em artigo publicado na revista científica inglesa Food Control.

A partir da análise de moléculas dos peixes, chegou-se à conclusão de que 24% das 30 amostras coletadas em supermercados, peixarias e restaurantes de Florianópolis apresentavam fraudes. Estas correspondem, na maioria dos casos, à venda de espécies de qualidade inferior à anunciada e/ou incompatíveis com a normatização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Esse tipo de teste evita que o consumidor pague por algo que não está consumindo, além de problemas de saúde relacionados à alergia a determinados produtos. A certificação protege ainda os produtores sérios da concorrência desleal. “A análise do DNA pode contribuir para que os produtores ofereçam produtos certificados e os consumidores possam conhecer a qualidade dos alimentos que chegam à mesa. Os testes são realizados em pequenas amostras dos produtos, que podem ser enviadas à empresa ou coletadas pela mesma”, salienta Marcela Drummond, presidente da Myleus Biotecnologia.

Os testes são utilizados para verificar se a espécie presente em um determinado produto de origem animal ou vegetal é a mesma que aquela declarada no rótulo ou no informativo do produto. “Em Florianópolis, foram analisadas 30 amostras de pescados coletadas em supermercados, mercados, peixarias e restaurantes. Dessas, 24% não pertenciam à espécie declarada no momento da venda. O DNA do material biológico contido em uma amostra é analisado e tem-se o resultado sobre a espécie presente. São realizados, então, testes de DNA que nos permitem saber quais espécies estão presentes em determinado produto de origem animal ou vegetal”, acrescenta Marcela.

Ela ressalta que os testes são úteis para a detecção da fraude por substituição de espécies. “Na grande maioria dos casos, essa é uma fraude econômica, já que o produto é substituído por outro de menor valor agregado. A fraude pode levar a problemas para a saúde humana, já que o consumidor consome um determinado alimento ou droga vegetal sem saber o que está consumindo, podendo levar a problemas alérgicos, por exemplo. Ainda, algumas vezes, encontramos espécies ameaçadas de extinção sendo vendidas no lugar daquela declarada no momento da venda. Dessa maneira, os testes podem ser utilizados por indústrias, supermercados, restaurantes, para se protegerem de uma possível fraude de seus fornecedores. Esses mesmos players podem usar os testes para garantir ao seu consumidor final que os seus produtos não são fraudados e têm uma garantia da espécie ali presente. Além disso, o teste pode ser usado por órgãos de inspeção e por órgãos de proteção ao consumidor para fiscalizar os produtos que estão sendo comercializados no país”, acrescenta a presidente da Myleus Biotecnologia.

A Myleus Biotecnologia é a primeira empresa a receber investimentos da Fundep Participações (Fundepar), criada no âmbito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com o objetivo de fomentar startups (empresas jovens e extremamente inovadoras em qualquer área ou ramo de atividade, que procuram desenvolver um modelo de negócio escalável e repetível). Outros projetos de pesquisadores da UFMG também receberão aportes da Fundepar, numa política de incentivo à inovação. No caso da Myleus, o repasse foi de R$ 500 mil. Os recursos estão sendo investidos no desenvolvimento da empresa, especialmente na implementação de laboratório próprio.

“A injeção de recursos na forma de seed money (capital fornecido à empresa num estágio pré-operacional para a construção de um protótipo) em empresas nascentes de base tecnológica é de extrema importância para possibilitar o crescimento e a manutenção do empreendimento. Esse tipo de empresa não tem fôlego para sustentar o seu desenvolvimento no médio prazo e precisa de capital externo para realizá-lo. Essa é uma das bases da economia do conhecimento, para acelerar a transferência do saber acadêmico para o domínio da sociedade”, acrescenta Marcela Drummond.

Outros produtos podem ser investigados

Além dos pescados, os testes podem ser feitos em derivados lácteos, como queijos e leite de búfala, cabra e ovelha, em produtos cárneos processados e in natura, como hambúrguer e linguiças, e em produtos de origem vegetal, como drogas vegetais, chás e madeira. “Os testes são comercializados para empresas ao longo de toda a cadeia produtiva. Devido à sua alta sensibilidade, eles podem ser aplicados até mesmo em amostras já processadas, como um peixe já cozido. A Myleus apoia a iniciativa de órgãos e entidades civis, assim como empresas que se dispõem a combater a fraude por substituição de espécies no Brasil. Nosso papel é suprir essas entidades com as ferramentas necessárias para essa finalidade. Nesse sentido, somos capazes de desenvolver testes de acordo com a demanda de cada um, colocando ferramentas à sua disposição”, diz Marcela. Ela salienta que a Myleus não tem um convênio com o Mapa para fazes os testes com frequência, mas que já há um indicativo de que o órgão tem interesse em implantar uma parceria em breve e, diante disso, a empresa está se preparando para ser um laboratório credenciado pelo ministério.

O evento contou com a presença de representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Procon Assembleia, da Vigilância Sanitária, da Procuradoria de Defesa do Consumidor, do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), do Movimento das Donas de Casa, da Proteste e do Ministério da Pesca e Aquacultura, além de outras instituições.

Por Augusto Pio
Fonte: Jornal Estado de Minas
26/01/2015

 

Biominas Brasil e SEBRAE Minas lançam Diagnóstico do Setor de Biociências em Minas Gerais



 

Diagnóstico aponta oportunidades de crescimento e contribui para discussões sobre temas como inovação, parcerias, políticas públicas e investimentos.

Diagnóstico aponta oportunidades de crescimento e contribui para discussões sobre temas como inovação, parcerias, políticas públicas e investimentos.

 

Minas Gerais abriga um dos principais polos de Biociências do país. Um diagnóstico do setor, realizado em 2004 pela Biominas Brasil, com apoio da FIEMG e SEBRAE Minas, apontou algumas de suas forças: base científica em universidades e centros de pesquisa, apoio do governo, casos de sucesso e interação entre os agentes.

Mas quais ações de promoção têm tido bons resultados e até que ponto empresas e instituições estão sendo beneficiadas? Essas questões incentivaram a realização de um novo estudo, o Diagnóstico do Setor de Biociências em Minas Gerais, que apresenta um comparativo entre o ambiente de negócios do segmento, há 10 anos, e a situação atual.

O LANÇAMENTO

O Diagnóstico foi lançado nesta quarta-feira (26/11), em Belo Horizonte, pelo SEBRAE Minas e Biominas Brasil, e contou com a presença de representantes dos principais agentes do setor no estado: representantes do Governo estadual e municipal, universidades e centros de pesquisa, investidores e agências de fomento, e empresários.

O lançamento teve início com a apresentação do Diagnóstico e foi seguido por uma reunião de trabalho para discutir as conclusões do documento e propostas de ações para o estado visando consolidar o papel de liderança de Minas Gerais no setor.

Clique aqui para ver as fotos do evento.

O DIAGNÓSTICO

O Diagnóstico do Setor de Biociências em Minas Gerais analisa quatro fatores essenciais na geração de um ambiente inovador nas empresas: estratégia de pesquisa, desenvolvimento e inovação; estabelecimento de parcerias; recursos financeiros para a inovação; políticas públicas voltadas para a inovação. Ele também analisa resultados de pesquisas feitas com empresas e entrevistas realizadas pela equipe de consultoria da Biominas Brasil.

Foi constatado que Minas Gerais possui atualmente 105 empresas de biociências, (a Região Metropolitana de Belo Horizonte concentra o maior número delas, 68), o que representa um aumento de 40% em relação aos últimos 10 anos. As principais áreas de atuação dessas empresas continuam sendo saúde humana e o agronegócio.  As instituições que compõem o ambiente de negócios (como universidades, incubadoras e redes) passaram de 45 (em 2004) para 85 (em 2014).

O levantamento mostra ainda que 63,2% das empresas do setor enquadram-se como micro ou pequenas, sendo que 41,9% declararam faturamento superior a R$ 1 milhão em 2013.

Em relação à estratégia de PD&I, a maioria (67,2%) declarou que possui atividades de P&D, e com relação ao montante investido nesta área, 34,5% declararam investir até 500 mil; 15,5% aplicaram de R$ 500 mil a R$ 1 milhão e 12,1% investiram acima de R$ 1 milhão.

Quando se avalia o portfólio de P&D comparado à idade, verifica-se que as empresas mais jovens estão mais dedicadas à inovação. Entre as empresas com 2 a 5 anos de mercado, 46,2% declararam que a maioria de seu portfólio está em fase de P&D. Já entre as empresas com mais de 15 anos de atuação, a proporção cai para 9,5%.

As principais fontes de recurso para PD&I utilizadas pelas entrevistadas são capital próprio e recursos não reembolsáveis oferecidos por agências estaduais e federais, e as principais agências de fomento à inovação procuradas pelas empresas de biociências são Fapemig, Finep, CNPq, SEBRAE, BNDES e BDMG.

Esses resultados estão apresentados de forma mais detalhada na versão completa do Diagnóstico do Setor de Biociências em Minas Gerais, que está disponível na íntegra e gratuitamente para download no site da Biominas Brasil (www.biominas.org.br) e do Sebrae (www.sebrae.com.br).

Fonte: Dialogue – Blog da Biominas Brasil
27/11/2014

Inovativa brasil

Startups finalistas do InovAtiva Brasil se apresentam a investidores na segunda-feira (24)



A edição deste ano do programa InovAtiva Brasil se encerra com a oportunidade para que empreendedores mostrem o potencial de seus negócios. Na segunda-feira (24), em São Paulo, dentro da programação da Conferência Nacional da Anjos do Brasil, 74 empreendedores apresentarão seus projetos a uma banca formada por investidores e executivos de grandes empresas. A partir das apresentações, serão destacadas possibilidades de aportes financeiros ou parcerias com as startups.

“O InovAtiva Brasil 2014 possibilitou o acesso ao mundo dos negócios a todos os que têm um bom projeto ou tecnologia. Foram oferecidas as melhores técnicas e ferramentas práticas de gestão”, destaca Nelson Fujimoto, secretário de Inovação do MDIC. Este ano o programa foi operado pelo Wenovate – Open Innovation Center em parceira com a Endeavor e o Senai Nacional e apoio da consultoria McKinsey & Company.

Marcela Drummond, da empresa mineira Myleus Análises Genéticas, uma das finalistas desta edição, aponta que a capacitação e, principalmente, as mentorias individuais foram muito úteis para melhorar o modelo de negócio e posicionar melhor a empresa no mercado. “O formato de um único mentor por um período maior de tempo é muito bom, pois assim é possível acompanhar a evolução da empresa. Nosso mentor foi excepcional, e chamou nossa atenção para pontos-chave”, destaca a empreendedora.

Sobre o InovAtiva

A segunda edição do Programa InovAtiva Brasil, lançada em maio deste ano, foi composta por três fases em que quase sete mil empreendedores de todo o Brasil tiveram acesso gratuito à capacitação baseada em vídeos e textos de empresários, consultores e especialistas.

Foram 703 os selecionados na primeira fase, e 128 para a segunda. Todos os 128 receberam mentorias individuais com empresários e executivos e também participaram de eventos presenciais de treinamento em cinco capitais brasileiras.

Nesta terceira fase, além da apresentação no dia 24, os 74 selecionados terão um treinamento intensivo nos dias 22 e 23 de novembro e continuarão com a mentoria individual por mais quatro meses após o evento.

Os empreendedores selecionados para a segunda e terceira fases vieram de 17 estados, sendo que São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina tiveram o maior número de inscritos.

O setor com maior representatividade foi o de Tecnologia da Informação, com quase metade dos selecionados, com destaque também para empresas de Saúde (biotecnologia, fármacos e equipamentos médicos), Agronegócio, Ambiental (gestão de resíduos) e algumas empresas de nichos específicos, como de nanotecnologia e veículos aéreos não tripulados (drones).

Fonte: Site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
21/11/2014
Fundepar na Mídia

Laboratório foi feito com investimento



Com o investimento, a Fundepar passa a ser sócia da empresa

A empresa de biotecnologia Myleus, de Belo Horizonte, recebeu em julho deste ano um aporte de R$ 500 mil da Fundep Participações S.A. (Fundepar), subsidiária da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), ligada à UFMG. “O aporte serviu para construir um laboratório e contratar pessoal na área de marketing e comercial”, diz Marcela Gonçalves Drummond, presidente da Myleus. A única empresa brasileira que faz identificação de animais e vegetais por meio de análise genética atualmente é a Myleus.

Com o investimento, a Fundepar passa a ser sócia da empresa. “Nós acompanhamos a gestão no dia a dia da empresa, além de oferecer o networking da Fundep”, explica o diretor da Fundepar, Ramón Azevedo. O objetivo da Fundepar é ajudar que tecnologias desenvolvidas na UFMG se transformem em inovação no mercado. “O ‘know how’ em gestão e a rede de contatos ajudam muito”, confirma Marcela.

Por Ludmila Pizarro
Fonte: Jornal O Tempo
21/11/2014

Minas. Marcela Drumond, da Myleus, acha que pode ser a primeira experiência do tipo no mundo

Empresa mineira usa DNA para punir fraude em peixes



Análise genética permitiu ao Procon multar responsáveis

Pela primeira vez no país, a identificação por DNA permitiu a punição de fraudes no comércio de alimentos. Por trás do sucesso, está a start-up mineira Myleus Biotecnologia. Neste ano a empresa foi contratada pela secretaria de Pesca e Maricultura do município de Florianópolis e pelo Procon da cidade para identificar, através de um teste de DNA, se os peixes vendidos na capital catarinense eram exatamente os identificados nas embalagens. Entre as 30 coletas feitas na operação “DNA do pescado”, 24% estavam adulteradas.

Eram escamudos do Alasca sendo vendidos como congrio rosa; panga comercializado como linguado, e peixe donzela transformado em bacalhau do Porto. As amostras foram colhidas em janeiro e abril de 2014. “Com a operação, pudemos autuar e multar empresas envolvidas”, afirma Bruna Mafiolete, gerente de consumidor do Procon de Florianópolis.

“Como foi uma ação pioneira no Brasil, resolvemos produzir um artigo”, explica Marcela Gonçalves Drummond, presidente da Myleus. Ela se refere ao “paper” que foi publicado pela revista científica inglesa “Food Control”. “O retorno que tivemos dos editores foi que eles não sabiam de nenhum projeto desse tipo. Não posso afirmar categoricamente, mas existe a possibilidade de ser a primeira experiência dessa natureza no mundo”, declara.

Outra parceria, entre a Myleus e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), analisou 290 amostras de fitoterápicos vendidos em Minas Gerais e identificou 48% de fraude nesses produtos.

Próximo Projeto. A Myleus vai analisar carne processada, como hambúrguer, nuggets e congelados. O objetivo é descobrir se a carne usada é de boi ou de outros animais, como cavalo ou cachorro.

Por Ludmila Pizarro
Fonte: Jornal O Tempo
21/11/2014

Detetives de Alimentos



De Salmão que não é salmão a remédios falsificados, startup mineira usa DNA para descobrir fraudes

Trutas sendo vendidas como salmão, mussarela de búfala produzida com leite de vaca e até remédios sem o princípio ativo que consta na embalagem são fraudes que antes passavam despercebidas pelo governo e consumidores, mas hoje são descobertas com o uso de testes de DNA. Fundada pelo biólogo Daniel Cardoso de Carvalho, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a startup mineira Myleus Biotechnology atua como uma detetive de alimentos, ajudando a evitar fraudes e até a salvar espécies ameaçadas.

O DNA Barcode, também chamado de “código de barras da vida”, é utilizado desde 2003, quando um grupo de pesquisadores canadenses provou que basta um único gene para diferenciar a maioria dos animais. A técnica funciona com o sequenciamento parcial de um pequeno segmento do DNA utilizado para comparar diferentes espécies.

“Se você extrair o DNA de um determinado peixe à venda no mercado, consegue descobrir se está mesmo comprando um bacalhau ou se trata de uma outra espécie”, explica Marcela Gonçalves Drummond, bióloga e presidente da startup. É possível saber também qual o tipo de carne usado em um hambúrguer ou numa lasanha. “A pesquisa pode ser feita no supermercado, no restaurante e até depois que o alimento já foi frito ou cozido”.

Em 2010 uma investigação da Myleus levou à apreensão de uma carga de peixe dourado, espécie originária da bacia do Rio São Francisco cuja pesca é considerada predatória. O pescador alegava que os peixes eram da bacia do Rio Paraguai. Os pesquisadores da startup também já identificaram bacalhau, merluza, salmão e traíra falsos.

Casos mais graves envolvem fitoterápicos, remédios produzidos à base plantas. Amostras da Maytenu silicifolia (espinheira santa), usada para problemas gastrointestinais, foram substituídas pela Zollernia ilicifolia, conhecida como falsa espinheira. O mesmo ocorreu com a Passifora incarnata, nome científico do maracujá, considerado um calmante, trocado por outras espécies.

Criada em 2009, a startup passou pela Inova, a incubadora de empresas da UFMG. Está previstoa para esse ano a  mudança para um laboratório próprio com o investimento de R$ 500 mil do fundo ligado à Fundep, gestora de projetos da universidade.

Por Amanda Kamancheck
Fonte: Revista Galileu
Abril/2014

Fundepar na Mídia

UFMG anuncia empresa de alta tecnologia e disponibiliza de imediato R$ 5 milhões



Na trilha de instituições internacionais como as britânicas Cambridge e Oxford, universidade mineira sai na frente e anuncia programa de investimento para empresas emergentes inovadoras

ufmg-anuncia-empresa-alta-tecnologia-5-milhoes

Na trilha de instituições internacionais de ensino conceituadas, como as britânicas Cambridge e Oxford, que se apressaram em criar um braço comercial, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sai na frente e anuncia, via Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), o lançamento de programa de investimento para empresas emergentes inovadoras, por meio do qual vai disponibilizar, inicialmente, R$ 5 milhões em recursos próprios para criação e manutenção de empresas.

“Como é uma experiência nova e confiamos muito nela, temos de ter cautela”, pondera o professor Marco Aurélio Crocco Afonso, presidente da fundação. A expectativa dele é de expansão dos recursos logo depois que instituições públicas, como bancos e agências de fomento, com os quais já vem negociando, decidirem investir no projeto. No primeiro momento, o Programa de Investimento Fundep vai privilegiar entre quatro e cinco empresas das áreas de biotecnologia, nanotubos de carbono, fármacos, vacinas, tecnologia de informação e comunicação, engenharias e medicina veterinária entre as quais a UFMG mais distribui patentes. O programa, no entanto, não cria restrição setorial. O aporte será de, no máximo, R$ 500 mil, por empresa.

Trabalhando para que possam receber as primeiras propostas de criação de empresas neste início de ano, Marco Aurélio Crocco diz que além de formatar a equipe de trabalho eles estão criando a Fundep Participações S.A., empresa privada que receberá os recursos a serem aportados às candidatas ao posto de empresas emergentes inovadoras. “Nossa expectativa é que no prazo de três anos possamos captar novos parceiros, que investiriam cerca de R$ 25 milhões, totalizando R$ 30 milhões de recursos, por meio dos quais conseguiríamos aprovar até 3 mil novos projetos de empresas”, avalia Crocco.

Para o presidente da Fundep, incorporar conhecimento em produtos e processos pode gerar vantagens fundamentais para o processo de desenvolvimento. “Não diria que o conhecimento é um negócio, mas ele é fundamental para o desenvolvimento”, avalia ele, lembrando que a Região Metropolitana de Belo Horizonte é hoje destaque nacional nas áreas de biotecnologia e tecnologia da informação. “Somos a cidade com maior concentração de empresas de biotecnologia”, garante Crocco, reforçando o potencial de investimento na capital mineira. Como há um conceito por trás do programa criado pela fundação, o presidente da Fundep lembra que ele não é um fundo de investimento tradicional, cujo principal compromisso é com investidores.

“Nossa ideia é dar um passo além na relação universidade-empresa, que é algo difícil”, afirma. Para o professor, normalmente o pesquisador sabe fazer ciência. “A dificuldade dele reside no entendimento da linguagem do mercado”, diz, salientando que a Fundep, por gerenciar todos os projetos de pesquisa dentro da UFMG, tem know-how próprio no setor. “A vantagem é que nós já conhecemos os pesquisadores há muito tempo”, acrescenta. E admite que o compromisso da fundação não é com a rentabilidade do negócio. “Nós apenas entramos com o capital e a gestão.”

Sociedade será beneficiada

O objetivo do projeto é facilitar a transmissão para a sociedade do conhecimento produzido na universidade, por intermédio de uma empresa que vai cuidar da fabricação de algo. “Não estamos inventando um modelo. Trata-se de algo já existente nas principais universidades britânicas, que têm um braço comercial para investir em empresas emergentes. Estamos apenas adaptando modelos europeus à realidade brasileira”, reconhece Marco Aurélio Crocco. Daí o pioneirismo do projeto no Brasil, onde até agora há apenas agências de investimento que servem de ponte entre investidores e professores/pesquisadores em instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Campinas (Unicamp), para ficar em dois exemplos.

ufmg-anuncia-empresa-alta-tecnologia-5-milhoes-crocco

“Como a experiência é nova, temos de ter cautela”, diz presidente da Fundep

“Nosso modelo difere daquele não só no contato com os investidores, mas também com os sócios da empresa. Temos melhores condições para facilitar o diálogo. O professor/pesquisador não vai sozinho discutir com experts do mercado financeiro”, compara. Segundo Marco Aurélio Crocco, a modalidade do investimento será o seed money (capital semente) e este não será a principal ou única fonte financiadora das empresas, tornando-se apenas parte da solução de viabilidade empresarial de pesquisas desenvolvidas no âmbito da UFMG. Já a seleção das empresas será feita por meio de edital de fluxo contínuo. A partir deste mês, as propostas poderão ser enviadas à fundação para os comitês (científico-tecnológico e de investimentos) analisarem o potencial científico-tecnológico e o mérito empresarial, mercadológico, econômico e financeiro delas.

Saiba mais: A Fundep

Responsável por projetos de ensino, pesquisa e extensão em várias áreas da UFMG, a Fundep tem atualmente, em sua sede no câmpus Pampulha, 280 funcionários, tendo gerenciado R$ 550 milhões em projetos novos apenas no ano passado. Além da sede, a fundação administra obras da UFMG e o Hospital Risoleta Neves, por acordo firmado com o município, contabilizando, portanto, cerca de 5 mil pessoas sob o CNPJ da instituição. Só na UFMG são cerca de 3,5 mil projetos, além de mais de 500 em escolas como a Universidade do ABC, Instituto Nacional de Tecnologia e Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Com o governo do estado a Fundep desenvolve projetos como o Projovem e o Fica Vivo. Em 38 anos de atividades, a serem completados no mês que vem, a fundação atendeu prioritariamente a UFMG, como ocorre agora com o novo projeto, cuja estrutura inicial, enxuta, envolve o trabalho de quatro funcionários da própria Fundep.

Como se candidatar Veja o perfil inicial do projeto

-R$ 5 milhões de capital inicial (recursos próprios)
-Modalidade: venture capital (seed money)
-Prazo médio de maturação estimado: de 2 a 5 anos/projeto/empresa
-Prazo de duração do programa: indeterminado (mínimo de 10 anos)
-A seleção de projetos será por meio de edital, com aporte inicial de até R$ 500 mil, por empresa
-Aporte total: limitado por empresa/projeto a 20% do capital disponível para investimento
-Limite por CPF: investimentos limitados a 20% do patrimônio líquido do CPF
-A captação de recursos será feita por meio de emissão de debêntures pela Fundep Participações S. A. ou emissão de ações em holdings, em sociedade com parceiros institucionais
-Captação junto a parceiros: até R$ 50 milhões

Por Ailton Magioli
Fonte: Jornal Estado de Minas
03/02/2013

Mapa do site