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Nova investida da Fundepar



Formalizada parceria com a empresa Detechta, que realiza pesquisa e desenvolvimento para a indústria de vacinas e diagnósticos para o mercado veterinário e humano

Colaborando para a transferência de conhecimento para a sociedade, a Fundep Participações S.A (Fundepar) disponibiliza apoio a empresas emergentes inovadoras. A todo vapor com essa diretriz, a Fundepar formalizou o quarto aporte, nessa segunda-feira, 21 de setembro. A investida é a Detechta, empresa de base tecnológica voltada à pesquisa e desenvolvimento para a indústria de vacinas e de diagnóstico in vitro, tanto para o mercado humano quanto para o animal.

Idealizada pelos professores Ricardo Tostes Gazzinelli e Flávio da Fonseca, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, e pela professora Ana Paula Fernandes, da Escola de Farmácia da UFMG – pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas (INCTV) –, a Detechta atua na produção de vacinas, no segmento de testes rápidos e no desenvolvimento de novas tecnologias para diagnósticos mais precisos. “Nós temos experiência na área de desenvolvimento de vacinas veterinárias. Já está no mercado a Leish-Tec, vacina contra leishmaniose visceral canina, a primeira recombinante feita no Brasil; e outras foram e estão sendo criadas com a tecnologia recombinante do INCTV. Além disso, temos um programa de desenvolvimento de testes rápidos para campo e estamos produzindo outra plataforma para diagnóstico ainda mais inovadora. Os testes e diagnósticos incluem a identificação de doenças como leishmaniose, dengue, doença de Chagas e pretendemos ampliar o leque”, explica Gazzinelli. Segundo o professor Flávio, a intenção é uma atuação ampla: “Trabalhamos desde a prevenção, com as vacinas, aos diagnósticos e testes para identificação de doença e também para confirmação da proteção”.

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Investindo em inovação

Os recursos oferecidos pela Fundepar serão aplicados para inserir os produtos da Detechta no mercado. Com a parceria, a Fundepar se torna sócia do empreendimento. “Esse projeto é alinhado ao perfil esperado pela Fundepar. A decisão pelo apoio considerou o corpo técnico de alto nível de qualidade e que trabalha com tecnologia disruptiva, o mercado de atuação, que é de grande relevância científica e social, e, ainda, as contribuições que a Fundepar pode realizar”, diz o diretor da Fundepar, Ramon Dias de Azevedo.

Para a formalização da parceria, a Fundepar vem acompanhando a Detechta há cerca de dois anos. “Contamos com um suporte fundamental da Fundepar nas questões de gestão, plano de negócio e direcionamento das ideias. Aprendemos muito nesse período, estabelecemos uma relação de confiança e interesse mútuo”, afirma o professor Gazzinelli, que complementa: “acreditamos que, com essa parceria, a Detechta será bem sucedida”.

A professora Ana Paula também tem expectativas positivas: “Quando se pode contar com um parceiro como a Fundepar, que investe e ainda facilita todo o processo relativo à administração, legislação, análise de mercado, relacionamento com a indústria e comércio – entre outras questões que muitas vezes nós, pesquisadores, não conseguimos conciliar com as nossas principais atividades –, sentimo-nos mais confiantes. Desconheço uma parceira como a Fundepar, que oferece esse suporte para que a UFMG siga esse campo de ‘inovar em inovação’”.

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Portfólio Fundepar

A Fundepar possui, além da Detechta, outras três investidas: a Myleus Biotecnologia, que é a primeira empresa brasileira a atuar na área de análises genéticas para certificação de produtos de origem animal e vegetal; o Techmall, cujo foco é promover a aceleração do desenvolvimento de startups de base tecnológica arrojada; e a Zunnit, especializada em ferramentas de segmentação, análise do comportamento de usuários e deep learning.

Biominas Brasil e SEBRAE Minas lançam Diagnóstico do Setor de Biociências em Minas Gerais



 

Diagnóstico aponta oportunidades de crescimento e contribui para discussões sobre temas como inovação, parcerias, políticas públicas e investimentos.

Diagnóstico aponta oportunidades de crescimento e contribui para discussões sobre temas como inovação, parcerias, políticas públicas e investimentos.

 

Minas Gerais abriga um dos principais polos de Biociências do país. Um diagnóstico do setor, realizado em 2004 pela Biominas Brasil, com apoio da FIEMG e SEBRAE Minas, apontou algumas de suas forças: base científica em universidades e centros de pesquisa, apoio do governo, casos de sucesso e interação entre os agentes.

Mas quais ações de promoção têm tido bons resultados e até que ponto empresas e instituições estão sendo beneficiadas? Essas questões incentivaram a realização de um novo estudo, o Diagnóstico do Setor de Biociências em Minas Gerais, que apresenta um comparativo entre o ambiente de negócios do segmento, há 10 anos, e a situação atual.

O LANÇAMENTO

O Diagnóstico foi lançado nesta quarta-feira (26/11), em Belo Horizonte, pelo SEBRAE Minas e Biominas Brasil, e contou com a presença de representantes dos principais agentes do setor no estado: representantes do Governo estadual e municipal, universidades e centros de pesquisa, investidores e agências de fomento, e empresários.

O lançamento teve início com a apresentação do Diagnóstico e foi seguido por uma reunião de trabalho para discutir as conclusões do documento e propostas de ações para o estado visando consolidar o papel de liderança de Minas Gerais no setor.

Clique aqui para ver as fotos do evento.

O DIAGNÓSTICO

O Diagnóstico do Setor de Biociências em Minas Gerais analisa quatro fatores essenciais na geração de um ambiente inovador nas empresas: estratégia de pesquisa, desenvolvimento e inovação; estabelecimento de parcerias; recursos financeiros para a inovação; políticas públicas voltadas para a inovação. Ele também analisa resultados de pesquisas feitas com empresas e entrevistas realizadas pela equipe de consultoria da Biominas Brasil.

Foi constatado que Minas Gerais possui atualmente 105 empresas de biociências, (a Região Metropolitana de Belo Horizonte concentra o maior número delas, 68), o que representa um aumento de 40% em relação aos últimos 10 anos. As principais áreas de atuação dessas empresas continuam sendo saúde humana e o agronegócio.  As instituições que compõem o ambiente de negócios (como universidades, incubadoras e redes) passaram de 45 (em 2004) para 85 (em 2014).

O levantamento mostra ainda que 63,2% das empresas do setor enquadram-se como micro ou pequenas, sendo que 41,9% declararam faturamento superior a R$ 1 milhão em 2013.

Em relação à estratégia de PD&I, a maioria (67,2%) declarou que possui atividades de P&D, e com relação ao montante investido nesta área, 34,5% declararam investir até 500 mil; 15,5% aplicaram de R$ 500 mil a R$ 1 milhão e 12,1% investiram acima de R$ 1 milhão.

Quando se avalia o portfólio de P&D comparado à idade, verifica-se que as empresas mais jovens estão mais dedicadas à inovação. Entre as empresas com 2 a 5 anos de mercado, 46,2% declararam que a maioria de seu portfólio está em fase de P&D. Já entre as empresas com mais de 15 anos de atuação, a proporção cai para 9,5%.

As principais fontes de recurso para PD&I utilizadas pelas entrevistadas são capital próprio e recursos não reembolsáveis oferecidos por agências estaduais e federais, e as principais agências de fomento à inovação procuradas pelas empresas de biociências são Fapemig, Finep, CNPq, SEBRAE, BNDES e BDMG.

Esses resultados estão apresentados de forma mais detalhada na versão completa do Diagnóstico do Setor de Biociências em Minas Gerais, que está disponível na íntegra e gratuitamente para download no site da Biominas Brasil (www.biominas.org.br) e do Sebrae (www.sebrae.com.br).

Fonte: Dialogue – Blog da Biominas Brasil
27/11/2014

Itamar Melo

Com mais de 800 grupos de pesquisa, a UFMG é a campeã de registros de patentes entre as federais do país



Aeronáutica, biodiesel, dengue, nanopartículas e redes sociais são algumas das áreas desenvolvidas pela instituição

Nos 3,3 milhões de metros quadrados do câmpus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) há espaço para muito mais do que salas de aula e bibliotecas. No Instituto de Ciências Biológicas, dezenas de congeladores reproduzem o clima da Antártica em um laboratório. Eles mantêm vivos os fungos trazidos do Polo Sul para que sejam aliados no combate a doenças tropicais. Em um galpão que mais parece um labirinto, no departamento de engenharia mecânica, a criatividade ganha asas. Ali nasceu o tênis com sistema de amortecimento inspirado no pulo de um gato, a aeronave leve mais rápida do mundo e um carro, com design de nave espacial, capaz de percorrer 598 quilômetros com apenas 1 litro de combustível. A extensa lista de pesquisas inovadoras fez a UFMG tornar-se a instituição federal campeã em pedidos de registro de patente no Brasil, com 923 processos abertos em seus quase noventa anos de história.

Em meio a tubos de ensaio e microscópios surgem projetos e tecnologias que ultrapassam as fronteiras da universidade. Os resultados das pesquisas chegam à saúde pública, à indústria e à vida das pessoas por intermédio de convênios assinados diariamente na Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT). “Além dos benefícios diretos para a sociedade, esse conhecimento ajuda na formação dos alunos, que vivem em um ambiente de inovação e entram no mercado de trabalho com um olhar diferenciado”, diz o reitor Jaime Ramírez. Confira nesta e nas próximas páginas uma amostra da genialidade no câmpus.

Em busca de cura na antártica
São quinze horas de voo ou 22 dias a bordo de um navio para chegar à Ilha Rei George, sede da estação científica do Brasil na Antártica. Ao desembarcarem no Polo Sul, os pesquisadores precisam driblar o frio – de até 15 graus negativos no verão – para iniciar a coleta de rochas e algas marinhas. Depois, no laboratório, extraem fungos capazes de produzir substâncias que serão usadas no combate a doenças como dengue e leishmaniose. “Isolada em um ambiente primitivo, a Antártica tem fungos com moléculas que podem produzir novos remédios”, diz o biólogo Luiz Henrique Rosa. Neste mês, Rosa embarca para sua oitava expedição. Coordenador do programa MycoAntar, ele tem parcerias firmadas com instituições como Embrapa e Fiocruz para o desenvolvimento de medicamentos.

Carlos Hauck/Odin

 

Salto de criatividade
Já imaginou ter um esqueleto na parte externa do seu corpo ajudando a caminhar mais rápido, a carregar maior quantidade de peso e a manter a postura correta? O Laboratório de Análise de Movimento da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG se inspirou em roupas de astronautas russos para criar um macacão com todas essas propriedades. A peça – útil para atletas de alto desempenho, como o ginasta Paulo César dos Santos, e pessoas com limitações de movimentos – recebeu o Prêmio de Relevância Acadêmica da universidade e já foi patenteada no Brasil, nos Estados Unidos, no Japão e em países da Europa. “A inovação está na arquitetura de tiras de elástico que cruzam a roupa e funcionam como um exoesqueleto capaz de diminuir o gasto de energia e melhorar a performance”, explica o fisioterapeuta Sérgio Fonseca, coordenador da equipe que criou o protótipo em 2008 e trabalha para comercializar o produto a partir do ano que vem.

Carro do futuro
Economia é a palavra de ordem no Centro de Tecnologia da Mobilidade da UFMG. Há quase uma década professores e estudantes se empenham em vencer o desafio de percorrer 1 000 quilômetros com apenas 1 litro de gasolina. A meta ainda está longe de ser alcançada, mas, durante a preparação, os pesquisadores da universidade conseguiram quebrar o recorde nacional ao atingir a marca de 598 quilômetros com 1 litro de combustível. “A tecnologia que é testada nas maratonas de eficiência energética migra para a indústria automobilística”, afirma o engenheiro mecânico Fabrício Pujatti, coordenador do projeto Milhagem.


Sentimentos na web

Diga-me o que curte e eu direi quem você é. O comportamento dos usuários do Facebook, do Instagram e de outras redes sociais se transformou em objeto de pesquisa na UFMG. Financiados pelo Google, alunos e professores do Observatório da Web analisam comentários e compartilhamentos na internet e extraem desse grande volume de dados as informações necessárias para medir tendências nas eleições, ameaças à segurança em eventos do porte da Copa do Mundo e o risco de disseminação de doenças como a febre chikungunya. “Criamos uma plataforma que captura dados e produz um conhecimento que será útil para o planejamento de ações de governo e empresas”, explica o doutor em ciência da computação Wagner Meira Júnior.

Gustavo Andrade/Odin

 

Do biodiesel, nada se perde
As paredes do Laboratório de Química Ambiental e Novos Materiais da UFMG têm ouvidos. E o melhor: elas não guardam segredo. Cada descoberta e cada invenção dos pesquisadores da universidade ganham rapidamente o mercado. Uma das mais recentes criações foi financiada pela Petrobras: trata-se de um plástico ecologicamente correto feito a partir da glicerina, um resíduo impuro do biodiesel que normalmente é descartado por causa de seu baixo valor comercial. “Usamos tecnologia própria e produtos brasileiros para fabricar um petroquímico verde”, diz o químico Luiz Carlos de Oliveira, que tem quinze patentes depositadas, ganhou uma medalha do Prêmio Jovem Cientista e é vencedor de três edições do Prêmio Petrobras de Tecnologia.

o céu é o limite
Quatro recordes mundiais e o título de aeronave leve mais rápida do planeta, concedido pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI). O currículo pertence ao CEA-308, avião construído no câmpus Pampulha. Em um longo processo que inclui cálculos, montagem, testes em solo e voos, quarenta alunos de graduação se envolvem a cada ano nos projetos aeronáuticos da UFMG. “Quem é capaz de quebrar recordes derruba qualquer barreira no futuro”, diz o engenheiro mecânico Paulo Iscold. O pesquisador da UFMG é considerado o cérebro brasileiro na vitória do piloto inglês Paul Bonhomme, na Red Bull Air Race, uma das mais importantes corridas de aviões do mundo. Foi Iscold quem fez as adaptações na aeronave do piloto.

A primeira patente a gente nunca esquece
A receita para matar a fome parece óbvia: uma cesta básica com arroz, feijão, fubá, óleo, farinha de trigo e vitaminas. Mas a ideia de processar todos esses alimentos e criar um composto capaz de combater a desnutrição infantil é mérito do médico imunologista Munir Chamone. Há exatos 25 anos, ele desenvolveu o Pão Forte, a primeira patente obtida pela UFMG. Hoje, 13 000 crianças de Minas e outros cinco estados são beneficiados com a mistura distribuída gratuitamente em postos de saúde e escolas públicas. “Vi pesquisadores passar anos analisando uma única célula no microscópio, mas eu quis ir para a rua, que funciona como um laboratório vivo, para estudar e propor soluções para a sociedade”, diz Chamone, que, mesmo depois da aposentadoria, não abandonou o projeto.

Uma Luta contra a dengue
Belo Horizonte terminou o mês de outubro com quase 3 000 casos de dengue registrados neste ano, e Minas ultrapassou a marca das 58 700 notificações. Se depender de uma tecnologia criada na UFMG, no entanto, tristes estatísticas como essas estão com os dias contados. A arma para o combate à doença é um tijolo quimicamente tratado que, em contato com a água e a luz solar, libera uma substância que impede a proliferação do mosquito Aedes aegypti. “Como o tijolo é poroso e capaz de flutuar, a proposta é colocar vários pedacinhos na caixa-d’água e nos vasos de planta para bloquear o desenvolvimento do inseto”, explica o químico Jadson Belchior, que registrou o pedido de patente do produto no país e no exterior. Depois da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o invento será testado na capital.

Gustavo Andrade/Odin

 

Nanopartículas para a indústria
Feixes de raios laser cruzam o Laboratório de Óptica e a forte luz azul ajuda o físico Marcos Assunção Pimenta a estudar, ao lado de um aparato de microscópios e lentes, o nanotubo de carbono – uma mínima fração de um átomo do elemento químico. “Analiso as características desse material que é 100 000 vezes mais fino que um fio de cabelo”, diz. O minucioso trabalho feito no departamento de física da UFMG rendeu à universidade a chance de sediar o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Nanomateriais de Carbono. Com o apoio de outros 54 cientistas de todo o país, Pimenta desenvolve, no câmpus Pampulha, novas formas de usar a partícula, que é mais resistente e mais leve que o aço, na construção civil e na indústria farmacêutica. “Queremos acabar com o abismo existente entre as pesquisas acadêmicas e o setor industrial”, afirma Pimenta.

O pulo do gato
Os duelos entre Tom e Jerry não seriam tão divertidos sem os inesquecíveis saltos do felino na tentativa de capturar o rato rival. Tampouco o Gato de Botas teria feito tanto sucesso sem sua habilidade de escapar das quedas de grandes alturas. Pois foi exatamente o segredo guardado dentro da delicada pata de um bichano que inspirou o engenheiro mecânico Marcos Pinotti a projetar o tênis Aerobase. Patenteado pelo Laboratório de Bioengenharia, o calçado rendeu à UFMG o primeiro cheque de royalties da sua história. “Uma empresa do polo calçadista de Nova Serrana está produzindo o tênis com o novo sistema de amortecimento, que já foi apresentado em dez países”, diz Pinotti, também criador de uma luva robotizada que lhe rendeu, há dois anos, o Prêmio Inovação do Ministério da Educação.

Por Glória Tupinambás
Fonte: Revista Veja BH
05/11/2014

 

Delegação russa visita UFMG para conhecer estrutura e processos de inovação



O ritmo de inovação alcançado nos últimos anos pelas universidades brasileiras e o sucesso que elas têm obtido na transferência de tecnologias para o mercado atraíram o olhar de pesquisadores, investidores e gestores públicos da Rússia que, nesta quinta-feira, 6, vão visitar a UFMG.

Composta de reitores de quatro universidades, investidores e de representantes de empresas e do governo, a comitiva também traz ao Brasil experiências que podem ser compartilhadas e gerar projetos conjuntos.

Depois de recebidos pela vice-reitora Sandra Goulart Almeida, os integrantes da delegação participarão de reuniões em três áreas. No campo estratégico, o grupo de investidores PBK, do governo russo, se reunirá com representantes da Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da UFMG e da Fundep Participações S.A. (Fundepar), entidade que apoia empresas emergentes inovadoras originadas de pesquisas realizadas na Universidade.

No âmbito acadêmico, reitores e pró-reitores, diretores de unidades acadêmicas e professores das instituições russas e da UFMG vão se reunir para discutir projetos com potencial significativo de interação.

Na área de negócios, uma equipe do Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BHTec) vai conversar com representantes de parques tecnológicos russos. O encontro também terá participação de empresas instaladas no BHTec cujos produtos possam interessar a empresas do país visitante.

À tarde, quando a comitiva estará na Cidade Administrativa, Mikhail Kasatkin, engenheiro-chefe da Scientific-Prodution Company (Saturn), empresa que produz motores de avião e de foguetes, e Dimitri Ivanov, chefe de inovação, farão palestras no câmpus Pampulha para alunos do curso de engenharia aeroespacial.

Uma semana no Brasil

Coordenada por Evgeniya Shamis, fundadora e diretora da empresa Sherpa S Pro, de Moscou, a delegação será recepcionada pelo professor Marcos Pinotti Barbosa, do Departamento de Engenharia Mecânica, que intermediou a visita.

A comitiva tem passado por diversos países e, na América Latina, escolheu o Brasil, onde permanecerá por uma semana em visita a três universidades: UFMG, USP e UFRJ.
Segundo Pinotti, a UFMG foi escolhida por ser uma das mais importantes universidades do Brasil e por seu modelo exemplar na área de inovação. “A UFMG chamou a atenção por ter todas as componentes da trajetória da inovação bem desenvolvidas: excelência acadêmica mundialmente reconhecida, a presença da CTIT, cujo trabalho se destaca no país, e de um parque tecnológico em crescimento, e, para fechar esse ciclo virtuoso da inovação, ainda tem a Fundepar, que financia empresas emergentes”, enumera o professor da Escola de Engenharia.

Pinotti explica que os visitantes querem saber quais desafios tiveram que ser vencidos para que a UFMG alcançasse alta taxa de transferência de tecnologia. “As universidades russas são muito parecidas com as nossas – públicas e geralmente divorciadas do setor industrial, barreira que a UFMG vem quebrando ao longo dos anos”, avalia o professor. De acordo com a CTIT, a UFMG é a maior depositante de patentes entre as universidades federais, com 650 depósitos – 20% dessas tecnologias são licenciadas.

As quatro universidades que compõem a comitiva foram indicadas pelo governo russo para receber mais financiamento em razão de seu potencial para subir nos rankings internacionais de instituições de ensino, ciência e tecnologia. São elas: Universidade Médica Estatal de Samara, Universidade Aeroespacial Estatal de Samara, Universidade Nacional de São Petersburgo – Tecnologias da informação, mecânica e ótica (IFMO) e Universidade Científica Tecnológica (Misis) de Moscou.

Pinotti comenta que um dos indicadores fundamentais para avançar em rankings é contar com a presença de professores estrangeiros, tema que também será objeto de negociação entre os participantes da reunião.

Fonte: Portal de Notícias da UFMG
04/11/2014

Fundepar na Mídia

Fundepar na TV UFMG



Iniciativas empreendedoras da UFMG ganham apoio da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep)

Programa investirá em empreendimentos inovadores da Universidade.

Acompanhe a entrevista do presidente da Fundepar, que apresenta detalhes do projeto, e saiba como participar.

Fundepar na Mídia

Startup na academia



Empresa criada pela UFMG incentiva a transformação de pesquisas em negócios

A Universidade Federal de Minas Gerais começou a testar um novo modelo de financiamento de startups a serem formadas a partir dos trabalhos do meio acadêmico. A instituição selecionou dois empreendimentos que receberão cada um até 500 mil reais, por meio da participação acionária de uma companhia criada pela universidade, a Fundep Participações S.A. (Fundepar). Um acordo deve sair nos próximos dias. Uma delas é a Labfar, que desenvolve soluções farmacêuticas na área cardiovascular, e que surgiu sob a coordenação da UFMG. A outra é Myleus Biotecnologia, prestadora de serviços de análise de DNA, nascida em uma incubadora da federal mineira. Outras 33 propostas foram recebidas e estão em análise. “São todas as iniciativas que temos acompanhado há tempo”, diz Marco Crocco, presidente da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa da UFMG (Fundep).

Depois de participar de um evento no Reino Unido em 2010, Crocco voltou ao Brasil com a ideia: abrir uma empresa subordinada à universidade para participação minoritária no capital de companhias inovadoras. Foi o modelo que ele conheceu na viagem, ao ter contato com a Cambridge Enterprise, da Universidade de Cambridge, a Oxford Management, da Universidade de Oxford, e o Imperial College Business, ligado á Universidade de Londres. “O princípio é ter uma entidade privada para cuidar da relação entre a comunidade acadêmica e o mercado, algo muito problemático no Brasil”, diz Crocco, que atenta para o baixo número de patentes registradas no país como um reflexo dessa deficiência.

O retrato da inovação no Brasil é desalentador. Apesar de o País aparecer em 13º lugar no ranking mundial de artigos acadêmicos, ele é o último colocado entre os BRIC (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) em número de pedidos de patentes internacionais. Os investimentos privados em inovação representam apenas 0,55% do PIB nacional, atrás do volume aplicado pela esfera pública, de 0,61%.

A Fundepar foi lançada com um capital de 5 milhões constituído por meio de aporte da Fundep, e obteve recentemente contribuição de outros 6 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Está em curso ainda uma negociação para entrada de recursos do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O objetivo é levantar 50 milhões de reais em três anos.

A criação da empresa permitiu um passo além da atividade da Fundep, que é dar suporte ao pesquisador na busca de recursos com entidades fomentadoras, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “A Fundep faz toda a gestão financeira dos recursos captados para a pesquisa. Mas para criar uma startup era preciso mais, e esse será o papel da Fundepar”, diz o professor.

Segundo ele, o trabalho da Fundepar como sócia de empresas novatas será facilitado pela relação já estabelecida entre a universidade e os seus pesquisadores. “Essa é a diferença entre o nosso trabalho e os modelos tradicionais de financiamento no Brasil.” Para Crocco, um dos ruídos existentes no relacionamento entre academia e mercado é a diferença de ritmo. “Podemos ser mais pacientes no retorno do investimento, pois nossa ideia não é ter rentabilidade para aplicar em outra empresa logo. O nosso superávit será para a universidade.”

A distância entre os trabalhos desenvolvidos na academia e no setor privado é apontada com uma das principais dificuldades para aumentar os investimentos em inovação no Brasil. Devido ao tamanho do nó, em 2013 o governo federal criou a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), para estreitar o relacionamento. O primeiro edital para atrair instituições de pesquisa interessadas em trabalhar com a iniciativa privada tem previsão de ser lançado no primeiro semestre de 2014. Ele é parte do Inova Empresa, programa federal de incentivo aos investimentos em tecnologia que promete injetar 32 bilhões de reais no biênio 2013/2014, dos quais 22,7 bilhões representam dinheiro novo. Como resultado, espera-se aumentar o quadro de empresas inovadoras no país das 39,3 mil existentes em 2008 para 60 mil em 2014.

“Os esforços do governo têm sido importantes, mas temos uma carência de instrumentos para apoiar as empresas no momento do seu nascimento, como é o caso da Fundepar”, diz Crocco, que acredita que o modelo lançado pela UFMG deve ser multiplicado. Segundo o professor, outras instituições já o procuraram para conhecer a operação da empresa. “A própria iniciativa de colocar a universidade para ajudar a criação de startups já é inovadora”, diz o professor.

Por Samantha Maia
Fonte: Revista Carta Capital
22/01/2014

Fundepar na Mídia

Fomento econômico na UFMG



Criada no início de 2013 pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para fomentar startups, a Fundepar S.A. vai injetar a primeira leva de recursos em empreendimentos emergentes até o fim de Fevereiro. A companhia vai aplicar até R$ 500 mil em cada um e terá como contrapartida o direito a participações societárias ou em debêntures. A Fundepar, portanto, está prestes a se consolidar como o braço econômico da instituição de ensino mais importante no estado. A expectativa é que, até o fim do ano, de oito a 10 empresas recebam o aporte.

“A Fundepar terá participação ativa na gestão (das embrionárias), podendo contribuir com sua expertise em gerir programas de pesquisa e desenvolvimento”, explica o presidente da Fundep, professor Marco Crocco, acrescentando que as startups a serem beneficiadas precisam ser nascidas na própria instituição de ensino. Na prática, são empresas conduzidas por professores e alunos que pertencem ou pertenceram aos quadros da UFMG. Dessa forma, as emergentes a serem contempladas vão levar para fora do campus os conhecimentos adquiridos por seus empreendedores.

Duas startups receberão a injeção de recursos no próximo mês. Uma delas será a Myleus Biotechnology, que atua na área de análises genéticas aplicadas à indústria, ao meio ambiente e ao meio acadêmico. “Nosso forte é a análise genética para identificação de espécies. Por exemplo: analisamos se o queijo de búfalo não leva leite de vaca ou um pescado para saber se é surubim ou outra espécie”, esclarece Marcela Gonçalves Drummond, presidente da Myleus.

A outra startup a receber o recurso em fevereiro será o Labfar Inovação, especializado em desenvolvimento de medicamentos, sobretudo, para o segmento cardiovascular. Membro do conselho científico da empresa, o professor Robson Santos informa que parte do recurso será destinado ao desenvolvimento de um cosmético voltado ao combate da calvície.

Capital Semente

A Fundepar vai aplicar o recurso nas embrionárias por meio de uma modalidade de investimento conhecida por seed money (capital semente). Esse tipo de aporte serve para financiar projetos mas não trata da principal fonte de recurso. No caso das startups nascidas na UFMG, o seed money é parte da solução para viabilidade empresarial de pesquisas desenvolvidas no âmbito da própria instituição de ensino. De acordo com o presidente da Fundep, o resultado financeiro a ser alcançado é 5% além do índice de inflação do período de operações.

“É um investimento de risco, mas acreditamos que alguns dos nossos empreendimentos têm enorme potencial, o que nos deixa otimistas quanto aos resultados. A Fundep entende a particularidade da maturação do projeto científico-tecnológico e sabe como lidar com as etapas do processo de transformação do conhecimento em desenvolvimento”, completa Crocco.

A Fundepar tem capital inicial de R$ 11 milhões, sendo R$ 5 milhões repassados pela Fundep e R$ 6 milhões pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Por Paulo Henrique Lobato
Fonte: Jornal Estado de Minas
18/01/2014

 

 

Padrão internacional na pós-graduação



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Reitoria UFMG – Foto: Eber Faioli

Trinta e um dos 63 programas de doutorado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foram classificados com conceitos 6 e 7 na avaliação trienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), divulgada em dezembro. O índice coloca a UFMG na liderança entre as universidades brasileiras e assegura que tais cursos estão em conformidade com padrões internacionais de excelência.

“São 49,2% dos programas de doutorado classificados com conceitos 6 e 7, enquanto a média nacional é de 10%”, comemora o reitor Clélio Campolina. “A UFMG foi a universidade brasileira com o maior percentual de excelência”, observa. O reitor destaca ainda que a UFMG teve sete trabalhos premiados entre 48 áreas de conhecimento na edição 2013, o maior índice entre as universidades brasileiras. “A Universidade está entre as maiores do Brasil, fato que nos alegra e recompensa pelo esforço empreendido”, completa.

Os resultados da avaliação trienal 2013 também revelam que a maioria dos programas de pós-graduação da UFMG está classificada com o conceito 5, o máximo para programas que contemplam apenas o nível de mestrado. “Toda a nossa pós-graduação, do mestrado ao doutorado, teve um resultado muito positivo”, diz o reitor.

Campolina atribui a boa colocação aos programas de internacionalização e à excelência dos professores e alunos. Ele destaca a existência de cinco Centros de Estudos Internacionais – América Latina, África, Europa, China e Índia – e indica o caminho para novos avanços: “Precisamos melhorar cada vez mais nossos centros de pesquisa e aproximar a universidade do mercado”, diz.

Nesse sentido, destaca a criação da Fundep Participações S.A. (Fundepar), que considera uma iniciativa auspiciosa. “A empresa será indispensável para a ligação entre o mundo acadêmico e o mercado brasileiro e mundial”, comenta. “O desenvolvimento da economia brasileira depende de novas descobertas, pesquisas e inovação. Sabemos que o timing acadêmico é diferente do ritmo do mercado, por isso a importância da Fundepar. Ela irá fazer essa ligação entre os dois universos. É uma iniciativa avançada que segue as tendências das universidades estrangeiras. Estamos plantando mais esta semente na UFMG, a primeira no Brasil a realizar um projeto como esse”, acrescenta.

Quem também destaca a internacionalização da UFMG como fator do êxito na avaliação da Capes é o professor da Faculdade de Odontologia e pró-reitor de pós-graduação, Ricardo Santiago Gomez, no cargo desde 2010. “Atualmente, todos os projetos da UFMG visam à inserção mundial. Temos nos preocupado em publicar artigos em revistas conhecidas no exterior e podemos observar um grande número de alunos fazendo estágios em universidades renomadas fora do país. Temos também um grande número de professores estrangeiros sendo convidados e realizando visitas aqui na Universidade. Embora isso seja uma tendência em outras universidades brasileiras, a UFMG saiu na frente neste processo”, observa.

Gomez lembra que 2012 foi o primeiro ano em que o número de alunos inscritos no doutorado foi maior que no mestrado, fator que também reflete no resultado da avaliação. “Temos 119 alunos a mais no doutorado. Um fato inédito que influencia positivamente neste resultado, pois os projetos de doutorado são mais consolidados que os de mestrado”, diz, observando que foi qualidade dos projetos de ambos os programas que garantiu a boa colocação.

O médico e professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Pedro Guatimosim, diretor da Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT), é categórico ao afirmar que a boa avaliação da UFMG é resultado de um grande investimento do atual reitorado em ciência, tecnologia e desenvolvimento. “Houve um apoio maior à pós-graduação e um imenso trabalho junto aos professores para melhorar cada vez mais o nível das pesquisas, além do incentivo às publicações de alta qualidade”, diz.

Guatimosim diz que este resultado é um reflexo da seriedade com que a pesquisa é encarada na UFMG e cita a Fundepar como um complemento deste processo. “A Fundepar terá um papel muito importante na geração de produtos advindos da pesquisa. São ações complementares e a escolha da UFMG como foco principal da Fundepar contribuirá muito para a geração de produtos”, avalia.

O diretor da CTIT, instituição responsável pela comercialização das inovações geradas na UFMG e proteção do conhecimento, ressalta que a Fundepar atuará numa área carente do mercado e onde os pesquisadores encontram mais dificuldades. “Temos muitos apoios à pesquisa e tantos outros para empresas, mas temos dificuldades em provar nossos conceitos ao final de cada pesquisa. Por isso, a Fundepar será tão importante nesse processo.”

Elo que faltava

Na visão do professor Marco Crocco, presidente da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa da UFMG (Fundep) e um dos criadores da Fundepar, empresa que também dirige, o resultado da avaliação da Capes mostra que a Universidade está no rumo correto. “Não existe coincidência”, garante. “A UFMG vem ganhando seguidos reconhecimentos à qualidade de sua produção e tem elevado ano após ano seus índices de publicações científicas e de patenteamento, numa prova inequívoca de maturidade”, destaca.

Nesse sentido, observa, a Fundepar será um elo importante da cadeia que possibilitará a transferência dos produtos e pesquisas desenvolvidos na UFMG para a sociedade. O conceito que originou a Fundepar se sustenta na promoção do spin off da produção científica e acadêmica para o universo da produção. A Fundepar irá aportar capital e conhecimento nos projetos da UFMG. “Estamos em consonância com as políticas internacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação”, afirma Crocco. O modelo da Fundepar segue as diretrizes da Economia do Conhecimento, na medida em que incentiva o capital intelectual da Universidade a atuar em um novo modelo de produção e transferência do conhecimento para a sociedade.

Crocco reconhece que, pelo lado do setor produtivo, ainda existe dificuldade em inovar e não há uma tradição de buscar o conhecimento nas universidades. “A Fundepar vai facilitar esse diálogo por meio da indução”, afirma. “Os recursos aportados criarão oportunidade para que as pesquisas tenham aplicação prática e gerem benefícios para a população, seja em inovação, geração de emprego, renda e qualidade de vida”.

A avaliação

Na Avaliação Trienal 2013, referente ao período 2010-2012, foram analisados 3.337 programas de pós-graduação, que compreendem 5.082 cursos, sendo 2.893 de mestrado, 1.792 de doutorado e 397 de mestrado profissional.

Ao anunciar os resultados, o ministro Aloizio Mercadante, da Educação, destacou a evolução do Sistema Nacional de Pós-Graduação. “Comparando com a avaliação de 2010, podemos perceber como o modelo é consistente; o sistema possui uma trajetória constante de expansão e melhoria”, afirmou.

Já o diretor de avaliação da Capes, Lívio Amaral, destacou que o aumento das notas ocorreu a despeito da avaliação mais rigorosa. “O sistema de avaliação é feito de maneira comparativa. Como o crescimento não é apenas numérico, mas qualitativo, o que percebemos é um progresso na produção acadêmica dos programas”, explica.

Na Avaliação Trienal da Capes, os cursos são avaliados na seguinte escala: conceitos 1 e 2, que descredenciam o programa; 3, que significa desempenho regular, atendendo ao padrão mínimo de qualidade; 4, considerado bom; e 5, nota máxima para programas com apenas mestrado. Os conceitos 6 e 7 indicam desempenho compatível com o padrão internacional de excelência.

Fundepar na Mídia

Relação estreita com o pesquisador



O 3º Workshop Internacional de Inovação e Cluster também trouxe dois importantes exemplos de instituições que estão em busca de grandes ideias. Uma delas é a Fundep Participações (Fundepar), apresentada pelo presidente da Fundação de Desenvolvimento de Pesquisa (Fundep), Marco Aurelio Crocco. Trata-se de uma instituição que financiará o processo de criação de startups nascidas de pesquisas feitas na UFMG. A Fundepar fará investimentos próprios, além de captar recursos de bancos públicos e outras instituições de financiamento.

Crocco afirma que o grande diferencial desse fundo é que ele fala a língua do pesquisador. “Investidor sempre acha que o pesquisador é um professor pardal e o pesquisador desconfia do investidor como alguém que quer roubar a ideia dele. No nosso caso, os pesquisadores já têm uma relação com a Fundep, então ganhamos no tempo da construção de relacionamento”, afirma. Além disso, ele destaca que o compromisso da Fundepar não é maximizar o lucro, mas tirar a ideia da universidade e colocar na sociedade, tornando esse processo mais tranqüilo para o pesquisador.

Outra instituição apresentada no workshop foi a Anjos do Brasil, instituição sem fins lucrativos que reúne investidores-anjos de todo o país. O coordenador da instituição em Minas Gerais, João Ávila, chamou de “dinheiro inteligente” o investimento feito por eles e explicou que os anjos querem muito mais que colocar aporte em uma ideia. “Não somos só uma fonte de dinheiro ou conselheiros descompromissados. O investidor-anjo entra junto com o empreendedor e se o projeto perder, ele perde também”, frisou.

Por Thaíne Belissa
Fonte: Jornal Diário do Comércio
03/12/2013

Fundepar na Mídia

Inovação tecnológica e desenvolvimento social: o que a Fundepar tem a ver com isso?



 Amartya Sen, em sua crítica à teoria da Justiça de John Rawls, se vincula a uma tradição específica da Filosofia Moral – tradição que mantém forte vínculo com o mundo empírico – e propõe que uma boa teoria da justiça deve considerar “(…) a avaliação de combinações de instituições sociais e padrões de comportamento públicos sobre as consequências sociais e realizações que eles produzem”. Assim, a partir de tal abordagem, muitos propõem que tanto a compreensão quanto a ação referentes à promoção da justiça ou do desenvolvimento social devem se basear na aprendizagem de outras experiências que representem desenhos institucionais exitosos.

Devemos aprender com a história e com os exemplos contemporâneos. Há algumas décadas, muitos cientistas sociais têm pesquisado o chamado Estado do Bem-estar Social (Ebes). Um dos problemas analisados se refere ao financiamento das políticas sociais necessárias à sua fundação e à sua manutenção. James O’Connor, nos anos 1970, já chamava a atenção dos leitores de seu então famoso livro, A crise fiscal do estado capitalista, para as dificuldades de financiamento de políticas públicas por parte de um Estado que busca atender demandas diversas em uma sociedade complexa.

Mais recentemente, pesquisadores como Gosta Esping-Andersen, Evelyne Huber e John Stephens debruçaram-se sobre a análise da chamada crise do Estado do Bem-estar Social. Entre as principais lições que emergem de seus estudos há uma a demonstrar que um Ebes só é sustentável se: a) demandar gastos dentro de limites razoáveis, que não levem a rupturas do contrato social ou à inviabilização das atividades econômicas; b) estiver ancorado em uma economia com elevado grau de competitividade, intensa capacidade de inovação tecnológica e forte base industrial.

A primeira condição levou as políticas de bem-estar social de alguns países (marcadamente o Canadá e a Austrália, mas também pode ser citado o caso brasileiro, quando se pensa nas políticas sociais mais recentes, como os programas Bolsa Família e de Benefício de Prestação Continuada) a migrarem de um modelo universalista para outro de natureza focalizada.

A segunda condição pode ser observada quando se analisa a atual “crise da zona do euro”. Nos países da zona do euro com economias de elevado grau de inovação tecnológica e forte base industrial – casos de Alemanha, Finlândia e Holanda – não se observa hoje uma crise econômica semelhante àquela de países como Portugal, Grécia e Espanha (para citar os casos mais significativos), onde as políticas de bem-estar social estão ameaçadas.

A partir da Constituição de 1988, o Brasil vem construindo o seu próprio modelo de Ebes. Isso tem permitido significativa queda dos indicadores de desigualdade, principalmente da concentração de renda (o coeficiente de Gini caiu de 0,61, em 1990, para 0,52, em 2012). Todavia, o Brasil continua sendo um dos países com os maiores índices de desigualdade de renda no mundo. Para dar continuidade à redução da desigualdade de renda (e ampliar esse processo para a diminuição de outras formas de desigualdade), será preciso investir mais recursos em políticas de bem-estar social. Como viabilizar recursos adicionais?

O aprofundamento do processo de desenvolvimento social exige que a economia brasileira dê novos saltos tecnológicos para alcançar um padrão semelhante àquele dos países europeus citados acima (bem como o dos EUA e o de algumas nações asiáticas, em especial a Coreia do Sul). Para tanto, temos que avançar muito no processo de inovação tecnológica.

Particularmente, o Brasil precisa se tornar muito mais eficaz nos mecanismos de transferência de conhecimento das instituições de pesquisa e das universidades (públicas e privadas) para o setor produtivo (público e privado). Essa é uma área em que as políticas públicas brasileiras não têm sido particularmente bem-sucedidas (principal evidência: a produção científica cresce de forma exponencial, mas a inovação tecnológica tem ficado estagnada). Todavia, além de alguns casos menores espalhados pelo país, há dois exemplos de grande sucesso no Brasil. O primeiro é o da Embraer. Alguém acredita que essa empresa teria chegado aonde chegou se não estivesse localizada próximo ao Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA) e ao Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos?

Esse é um modelo possível, a criação de um conglomerado tecnológico com empresas e instituições de ensino e pesquisa interligados de maneira formal ou não. O segundo caso de sucesso no Brasil é o do setor agropecuário, com a integração da Embrapa com os campi universitários agrários de excelência, produtores rurais e empresas de agronegócio. Outros modelos precisam ser iniciados e testados.

A Fundep está dando um importante passo com a criação da Fundep Participações (­Fundepar). Ela será uma empresa – capitalizada a partir de recursos da própria fundação, de bancos públicos e de instituições de financiamento da pesquisa – que financiará o processo de criação de empresas que tornarão real a produção e comercialização de bens e serviços oriundos de patentes produzidas na UFMG.

A Fundep inaugura, no Brasil, um modelo que já faz sucesso em universidades de pesquisa de ponta (públicas e privadas) em países desenvolvidos. Espero que sejamos exitosos e que consigamos mais um modelo a ser seguido para conseguirmos superar esse importante entrave ao nosso desenvolvimento econômico e social.

Por Jorge Alexandre Barbosa Neves (Professor do Departamento de Sociologia e Antropologia e diretor da Fafich)
Fonte: Boletim da UFMG
20/05/2013

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