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Equipe da empresa Myleus faz teste de DNA para certificar origem de produtos. Na foto, Marcela Drummond, Pollyana de Carvalho, Estevam Bravo Neto e Rafael Palhares

Teste de DNA com tecnologia de startup mineira garante qualidade de produtos



Foram aplicadas análises em pescados no Sul do Brasil e comprovaram fraude. Outros alimentos, como laticínios e carnes, podem passar pelo processo

Resultados de uma ação desenvolvida em Florianópolis (SC), com base em tecnologia de uma startup mineira que teve como investidor um fundo nascido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Myleus Biotecnologia, foram recentemente apresentados em evento em Belo Horizonte, e indicaram que testes de DNA podem mostrar se um alimento foi fraudado. O trabalho feito no ano passado na ilha, localizada no Sul do Brasil, permitiu a identificação de peixes comercializados clandestinamente. Os resultados foram documentados em artigo publicado na revista científica inglesa Food Control.

A partir da análise de moléculas dos peixes, chegou-se à conclusão de que 24% das 30 amostras coletadas em supermercados, peixarias e restaurantes de Florianópolis apresentavam fraudes. Estas correspondem, na maioria dos casos, à venda de espécies de qualidade inferior à anunciada e/ou incompatíveis com a normatização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Esse tipo de teste evita que o consumidor pague por algo que não está consumindo, além de problemas de saúde relacionados à alergia a determinados produtos. A certificação protege ainda os produtores sérios da concorrência desleal. “A análise do DNA pode contribuir para que os produtores ofereçam produtos certificados e os consumidores possam conhecer a qualidade dos alimentos que chegam à mesa. Os testes são realizados em pequenas amostras dos produtos, que podem ser enviadas à empresa ou coletadas pela mesma”, salienta Marcela Drummond, presidente da Myleus Biotecnologia.

Os testes são utilizados para verificar se a espécie presente em um determinado produto de origem animal ou vegetal é a mesma que aquela declarada no rótulo ou no informativo do produto. “Em Florianópolis, foram analisadas 30 amostras de pescados coletadas em supermercados, mercados, peixarias e restaurantes. Dessas, 24% não pertenciam à espécie declarada no momento da venda. O DNA do material biológico contido em uma amostra é analisado e tem-se o resultado sobre a espécie presente. São realizados, então, testes de DNA que nos permitem saber quais espécies estão presentes em determinado produto de origem animal ou vegetal”, acrescenta Marcela.

Ela ressalta que os testes são úteis para a detecção da fraude por substituição de espécies. “Na grande maioria dos casos, essa é uma fraude econômica, já que o produto é substituído por outro de menor valor agregado. A fraude pode levar a problemas para a saúde humana, já que o consumidor consome um determinado alimento ou droga vegetal sem saber o que está consumindo, podendo levar a problemas alérgicos, por exemplo. Ainda, algumas vezes, encontramos espécies ameaçadas de extinção sendo vendidas no lugar daquela declarada no momento da venda. Dessa maneira, os testes podem ser utilizados por indústrias, supermercados, restaurantes, para se protegerem de uma possível fraude de seus fornecedores. Esses mesmos players podem usar os testes para garantir ao seu consumidor final que os seus produtos não são fraudados e têm uma garantia da espécie ali presente. Além disso, o teste pode ser usado por órgãos de inspeção e por órgãos de proteção ao consumidor para fiscalizar os produtos que estão sendo comercializados no país”, acrescenta a presidente da Myleus Biotecnologia.

A Myleus Biotecnologia é a primeira empresa a receber investimentos da Fundep Participações (Fundepar), criada no âmbito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com o objetivo de fomentar startups (empresas jovens e extremamente inovadoras em qualquer área ou ramo de atividade, que procuram desenvolver um modelo de negócio escalável e repetível). Outros projetos de pesquisadores da UFMG também receberão aportes da Fundepar, numa política de incentivo à inovação. No caso da Myleus, o repasse foi de R$ 500 mil. Os recursos estão sendo investidos no desenvolvimento da empresa, especialmente na implementação de laboratório próprio.

“A injeção de recursos na forma de seed money (capital fornecido à empresa num estágio pré-operacional para a construção de um protótipo) em empresas nascentes de base tecnológica é de extrema importância para possibilitar o crescimento e a manutenção do empreendimento. Esse tipo de empresa não tem fôlego para sustentar o seu desenvolvimento no médio prazo e precisa de capital externo para realizá-lo. Essa é uma das bases da economia do conhecimento, para acelerar a transferência do saber acadêmico para o domínio da sociedade”, acrescenta Marcela Drummond.

Outros produtos podem ser investigados

Além dos pescados, os testes podem ser feitos em derivados lácteos, como queijos e leite de búfala, cabra e ovelha, em produtos cárneos processados e in natura, como hambúrguer e linguiças, e em produtos de origem vegetal, como drogas vegetais, chás e madeira. “Os testes são comercializados para empresas ao longo de toda a cadeia produtiva. Devido à sua alta sensibilidade, eles podem ser aplicados até mesmo em amostras já processadas, como um peixe já cozido. A Myleus apoia a iniciativa de órgãos e entidades civis, assim como empresas que se dispõem a combater a fraude por substituição de espécies no Brasil. Nosso papel é suprir essas entidades com as ferramentas necessárias para essa finalidade. Nesse sentido, somos capazes de desenvolver testes de acordo com a demanda de cada um, colocando ferramentas à sua disposição”, diz Marcela. Ela salienta que a Myleus não tem um convênio com o Mapa para fazes os testes com frequência, mas que já há um indicativo de que o órgão tem interesse em implantar uma parceria em breve e, diante disso, a empresa está se preparando para ser um laboratório credenciado pelo ministério.

O evento contou com a presença de representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Procon Assembleia, da Vigilância Sanitária, da Procuradoria de Defesa do Consumidor, do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), do Movimento das Donas de Casa, da Proteste e do Ministério da Pesca e Aquacultura, além de outras instituições.

Por Augusto Pio
Fonte: Jornal Estado de Minas
26/01/2015

 

Fundepar na Mídia

Fomento econômico na UFMG



Criada no início de 2013 pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para fomentar startups, a Fundepar S.A. vai injetar a primeira leva de recursos em empreendimentos emergentes até o fim de Fevereiro. A companhia vai aplicar até R$ 500 mil em cada um e terá como contrapartida o direito a participações societárias ou em debêntures. A Fundepar, portanto, está prestes a se consolidar como o braço econômico da instituição de ensino mais importante no estado. A expectativa é que, até o fim do ano, de oito a 10 empresas recebam o aporte.

“A Fundepar terá participação ativa na gestão (das embrionárias), podendo contribuir com sua expertise em gerir programas de pesquisa e desenvolvimento”, explica o presidente da Fundep, professor Marco Crocco, acrescentando que as startups a serem beneficiadas precisam ser nascidas na própria instituição de ensino. Na prática, são empresas conduzidas por professores e alunos que pertencem ou pertenceram aos quadros da UFMG. Dessa forma, as emergentes a serem contempladas vão levar para fora do campus os conhecimentos adquiridos por seus empreendedores.

Duas startups receberão a injeção de recursos no próximo mês. Uma delas será a Myleus Biotechnology, que atua na área de análises genéticas aplicadas à indústria, ao meio ambiente e ao meio acadêmico. “Nosso forte é a análise genética para identificação de espécies. Por exemplo: analisamos se o queijo de búfalo não leva leite de vaca ou um pescado para saber se é surubim ou outra espécie”, esclarece Marcela Gonçalves Drummond, presidente da Myleus.

A outra startup a receber o recurso em fevereiro será o Labfar Inovação, especializado em desenvolvimento de medicamentos, sobretudo, para o segmento cardiovascular. Membro do conselho científico da empresa, o professor Robson Santos informa que parte do recurso será destinado ao desenvolvimento de um cosmético voltado ao combate da calvície.

Capital Semente

A Fundepar vai aplicar o recurso nas embrionárias por meio de uma modalidade de investimento conhecida por seed money (capital semente). Esse tipo de aporte serve para financiar projetos mas não trata da principal fonte de recurso. No caso das startups nascidas na UFMG, o seed money é parte da solução para viabilidade empresarial de pesquisas desenvolvidas no âmbito da própria instituição de ensino. De acordo com o presidente da Fundep, o resultado financeiro a ser alcançado é 5% além do índice de inflação do período de operações.

“É um investimento de risco, mas acreditamos que alguns dos nossos empreendimentos têm enorme potencial, o que nos deixa otimistas quanto aos resultados. A Fundep entende a particularidade da maturação do projeto científico-tecnológico e sabe como lidar com as etapas do processo de transformação do conhecimento em desenvolvimento”, completa Crocco.

A Fundepar tem capital inicial de R$ 11 milhões, sendo R$ 5 milhões repassados pela Fundep e R$ 6 milhões pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Por Paulo Henrique Lobato
Fonte: Jornal Estado de Minas
18/01/2014

 

 

Fundepar na Mídia

Iniciativa da Fundep apoia transformação do conhecimento em desenvolvimento



A partir de sua experiência em gestão de projetos e da atuação no sistema nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) estruturou uma nova forma de apoiar a Universidade Federal de Minas Gerais. Ao criar o Programa de Investimento Fundep para Empresas Emergentes Inovadoras da UFMG, a instituição se lança ao desafio de contribuir com a interação entre universidade e empresa, colaborando para o processo de transferência do conhecimento para o processo produtivo.

Para isso, foi constituída a Fundep Participações S.A., por meio da qual serão aportados recursos próprios em projetos de professores e pesquisadores da UFMG, para estruturação de empresas  start-ups  que viabilizem a transformação de inovações para a sociedade. A iniciativa, que acompanha diretrizes da Economia do Conhecimento e políticas internacionais de C,T&I, prevê investimentos na modalidade  seed money  (capital semente). As propostas poderão ser apresentadas permanentemente.

 

Fonte: Confies

Fundepar na Mídia

UFMG anuncia empresa de alta tecnologia e disponibiliza de imediato R$ 5 milhões



Na trilha de instituições internacionais como as britânicas Cambridge e Oxford, universidade mineira sai na frente e anuncia programa de investimento para empresas emergentes inovadoras

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Na trilha de instituições internacionais de ensino conceituadas, como as britânicas Cambridge e Oxford, que se apressaram em criar um braço comercial, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sai na frente e anuncia, via Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), o lançamento de programa de investimento para empresas emergentes inovadoras, por meio do qual vai disponibilizar, inicialmente, R$ 5 milhões em recursos próprios para criação e manutenção de empresas.

“Como é uma experiência nova e confiamos muito nela, temos de ter cautela”, pondera o professor Marco Aurélio Crocco Afonso, presidente da fundação. A expectativa dele é de expansão dos recursos logo depois que instituições públicas, como bancos e agências de fomento, com os quais já vem negociando, decidirem investir no projeto. No primeiro momento, o Programa de Investimento Fundep vai privilegiar entre quatro e cinco empresas das áreas de biotecnologia, nanotubos de carbono, fármacos, vacinas, tecnologia de informação e comunicação, engenharias e medicina veterinária entre as quais a UFMG mais distribui patentes. O programa, no entanto, não cria restrição setorial. O aporte será de, no máximo, R$ 500 mil, por empresa.

Trabalhando para que possam receber as primeiras propostas de criação de empresas neste início de ano, Marco Aurélio Crocco diz que além de formatar a equipe de trabalho eles estão criando a Fundep Participações S.A., empresa privada que receberá os recursos a serem aportados às candidatas ao posto de empresas emergentes inovadoras. “Nossa expectativa é que no prazo de três anos possamos captar novos parceiros, que investiriam cerca de R$ 25 milhões, totalizando R$ 30 milhões de recursos, por meio dos quais conseguiríamos aprovar até 3 mil novos projetos de empresas”, avalia Crocco.

Para o presidente da Fundep, incorporar conhecimento em produtos e processos pode gerar vantagens fundamentais para o processo de desenvolvimento. “Não diria que o conhecimento é um negócio, mas ele é fundamental para o desenvolvimento”, avalia ele, lembrando que a Região Metropolitana de Belo Horizonte é hoje destaque nacional nas áreas de biotecnologia e tecnologia da informação. “Somos a cidade com maior concentração de empresas de biotecnologia”, garante Crocco, reforçando o potencial de investimento na capital mineira. Como há um conceito por trás do programa criado pela fundação, o presidente da Fundep lembra que ele não é um fundo de investimento tradicional, cujo principal compromisso é com investidores.

“Nossa ideia é dar um passo além na relação universidade-empresa, que é algo difícil”, afirma. Para o professor, normalmente o pesquisador sabe fazer ciência. “A dificuldade dele reside no entendimento da linguagem do mercado”, diz, salientando que a Fundep, por gerenciar todos os projetos de pesquisa dentro da UFMG, tem know-how próprio no setor. “A vantagem é que nós já conhecemos os pesquisadores há muito tempo”, acrescenta. E admite que o compromisso da fundação não é com a rentabilidade do negócio. “Nós apenas entramos com o capital e a gestão.”

Sociedade será beneficiada

O objetivo do projeto é facilitar a transmissão para a sociedade do conhecimento produzido na universidade, por intermédio de uma empresa que vai cuidar da fabricação de algo. “Não estamos inventando um modelo. Trata-se de algo já existente nas principais universidades britânicas, que têm um braço comercial para investir em empresas emergentes. Estamos apenas adaptando modelos europeus à realidade brasileira”, reconhece Marco Aurélio Crocco. Daí o pioneirismo do projeto no Brasil, onde até agora há apenas agências de investimento que servem de ponte entre investidores e professores/pesquisadores em instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Campinas (Unicamp), para ficar em dois exemplos.

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“Como a experiência é nova, temos de ter cautela”, diz presidente da Fundep

“Nosso modelo difere daquele não só no contato com os investidores, mas também com os sócios da empresa. Temos melhores condições para facilitar o diálogo. O professor/pesquisador não vai sozinho discutir com experts do mercado financeiro”, compara. Segundo Marco Aurélio Crocco, a modalidade do investimento será o seed money (capital semente) e este não será a principal ou única fonte financiadora das empresas, tornando-se apenas parte da solução de viabilidade empresarial de pesquisas desenvolvidas no âmbito da UFMG. Já a seleção das empresas será feita por meio de edital de fluxo contínuo. A partir deste mês, as propostas poderão ser enviadas à fundação para os comitês (científico-tecnológico e de investimentos) analisarem o potencial científico-tecnológico e o mérito empresarial, mercadológico, econômico e financeiro delas.

Saiba mais: A Fundep

Responsável por projetos de ensino, pesquisa e extensão em várias áreas da UFMG, a Fundep tem atualmente, em sua sede no câmpus Pampulha, 280 funcionários, tendo gerenciado R$ 550 milhões em projetos novos apenas no ano passado. Além da sede, a fundação administra obras da UFMG e o Hospital Risoleta Neves, por acordo firmado com o município, contabilizando, portanto, cerca de 5 mil pessoas sob o CNPJ da instituição. Só na UFMG são cerca de 3,5 mil projetos, além de mais de 500 em escolas como a Universidade do ABC, Instituto Nacional de Tecnologia e Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Com o governo do estado a Fundep desenvolve projetos como o Projovem e o Fica Vivo. Em 38 anos de atividades, a serem completados no mês que vem, a fundação atendeu prioritariamente a UFMG, como ocorre agora com o novo projeto, cuja estrutura inicial, enxuta, envolve o trabalho de quatro funcionários da própria Fundep.

Como se candidatar Veja o perfil inicial do projeto

-R$ 5 milhões de capital inicial (recursos próprios)
-Modalidade: venture capital (seed money)
-Prazo médio de maturação estimado: de 2 a 5 anos/projeto/empresa
-Prazo de duração do programa: indeterminado (mínimo de 10 anos)
-A seleção de projetos será por meio de edital, com aporte inicial de até R$ 500 mil, por empresa
-Aporte total: limitado por empresa/projeto a 20% do capital disponível para investimento
-Limite por CPF: investimentos limitados a 20% do patrimônio líquido do CPF
-A captação de recursos será feita por meio de emissão de debêntures pela Fundep Participações S. A. ou emissão de ações em holdings, em sociedade com parceiros institucionais
-Captação junto a parceiros: até R$ 50 milhões

Por Ailton Magioli
Fonte: Jornal Estado de Minas
03/02/2013

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