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tecnologia

Itamar Melo

Com mais de 800 grupos de pesquisa, a UFMG é a campeã de registros de patentes entre as federais do país



Aeronáutica, biodiesel, dengue, nanopartículas e redes sociais são algumas das áreas desenvolvidas pela instituição

Nos 3,3 milhões de metros quadrados do câmpus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) há espaço para muito mais do que salas de aula e bibliotecas. No Instituto de Ciências Biológicas, dezenas de congeladores reproduzem o clima da Antártica em um laboratório. Eles mantêm vivos os fungos trazidos do Polo Sul para que sejam aliados no combate a doenças tropicais. Em um galpão que mais parece um labirinto, no departamento de engenharia mecânica, a criatividade ganha asas. Ali nasceu o tênis com sistema de amortecimento inspirado no pulo de um gato, a aeronave leve mais rápida do mundo e um carro, com design de nave espacial, capaz de percorrer 598 quilômetros com apenas 1 litro de combustível. A extensa lista de pesquisas inovadoras fez a UFMG tornar-se a instituição federal campeã em pedidos de registro de patente no Brasil, com 923 processos abertos em seus quase noventa anos de história.

Em meio a tubos de ensaio e microscópios surgem projetos e tecnologias que ultrapassam as fronteiras da universidade. Os resultados das pesquisas chegam à saúde pública, à indústria e à vida das pessoas por intermédio de convênios assinados diariamente na Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT). “Além dos benefícios diretos para a sociedade, esse conhecimento ajuda na formação dos alunos, que vivem em um ambiente de inovação e entram no mercado de trabalho com um olhar diferenciado”, diz o reitor Jaime Ramírez. Confira nesta e nas próximas páginas uma amostra da genialidade no câmpus.

Em busca de cura na antártica
São quinze horas de voo ou 22 dias a bordo de um navio para chegar à Ilha Rei George, sede da estação científica do Brasil na Antártica. Ao desembarcarem no Polo Sul, os pesquisadores precisam driblar o frio – de até 15 graus negativos no verão – para iniciar a coleta de rochas e algas marinhas. Depois, no laboratório, extraem fungos capazes de produzir substâncias que serão usadas no combate a doenças como dengue e leishmaniose. “Isolada em um ambiente primitivo, a Antártica tem fungos com moléculas que podem produzir novos remédios”, diz o biólogo Luiz Henrique Rosa. Neste mês, Rosa embarca para sua oitava expedição. Coordenador do programa MycoAntar, ele tem parcerias firmadas com instituições como Embrapa e Fiocruz para o desenvolvimento de medicamentos.

Carlos Hauck/Odin

 

Salto de criatividade
Já imaginou ter um esqueleto na parte externa do seu corpo ajudando a caminhar mais rápido, a carregar maior quantidade de peso e a manter a postura correta? O Laboratório de Análise de Movimento da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG se inspirou em roupas de astronautas russos para criar um macacão com todas essas propriedades. A peça – útil para atletas de alto desempenho, como o ginasta Paulo César dos Santos, e pessoas com limitações de movimentos – recebeu o Prêmio de Relevância Acadêmica da universidade e já foi patenteada no Brasil, nos Estados Unidos, no Japão e em países da Europa. “A inovação está na arquitetura de tiras de elástico que cruzam a roupa e funcionam como um exoesqueleto capaz de diminuir o gasto de energia e melhorar a performance”, explica o fisioterapeuta Sérgio Fonseca, coordenador da equipe que criou o protótipo em 2008 e trabalha para comercializar o produto a partir do ano que vem.

Carro do futuro
Economia é a palavra de ordem no Centro de Tecnologia da Mobilidade da UFMG. Há quase uma década professores e estudantes se empenham em vencer o desafio de percorrer 1 000 quilômetros com apenas 1 litro de gasolina. A meta ainda está longe de ser alcançada, mas, durante a preparação, os pesquisadores da universidade conseguiram quebrar o recorde nacional ao atingir a marca de 598 quilômetros com 1 litro de combustível. “A tecnologia que é testada nas maratonas de eficiência energética migra para a indústria automobilística”, afirma o engenheiro mecânico Fabrício Pujatti, coordenador do projeto Milhagem.


Sentimentos na web

Diga-me o que curte e eu direi quem você é. O comportamento dos usuários do Facebook, do Instagram e de outras redes sociais se transformou em objeto de pesquisa na UFMG. Financiados pelo Google, alunos e professores do Observatório da Web analisam comentários e compartilhamentos na internet e extraem desse grande volume de dados as informações necessárias para medir tendências nas eleições, ameaças à segurança em eventos do porte da Copa do Mundo e o risco de disseminação de doenças como a febre chikungunya. “Criamos uma plataforma que captura dados e produz um conhecimento que será útil para o planejamento de ações de governo e empresas”, explica o doutor em ciência da computação Wagner Meira Júnior.

Gustavo Andrade/Odin

 

Do biodiesel, nada se perde
As paredes do Laboratório de Química Ambiental e Novos Materiais da UFMG têm ouvidos. E o melhor: elas não guardam segredo. Cada descoberta e cada invenção dos pesquisadores da universidade ganham rapidamente o mercado. Uma das mais recentes criações foi financiada pela Petrobras: trata-se de um plástico ecologicamente correto feito a partir da glicerina, um resíduo impuro do biodiesel que normalmente é descartado por causa de seu baixo valor comercial. “Usamos tecnologia própria e produtos brasileiros para fabricar um petroquímico verde”, diz o químico Luiz Carlos de Oliveira, que tem quinze patentes depositadas, ganhou uma medalha do Prêmio Jovem Cientista e é vencedor de três edições do Prêmio Petrobras de Tecnologia.

o céu é o limite
Quatro recordes mundiais e o título de aeronave leve mais rápida do planeta, concedido pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI). O currículo pertence ao CEA-308, avião construído no câmpus Pampulha. Em um longo processo que inclui cálculos, montagem, testes em solo e voos, quarenta alunos de graduação se envolvem a cada ano nos projetos aeronáuticos da UFMG. “Quem é capaz de quebrar recordes derruba qualquer barreira no futuro”, diz o engenheiro mecânico Paulo Iscold. O pesquisador da UFMG é considerado o cérebro brasileiro na vitória do piloto inglês Paul Bonhomme, na Red Bull Air Race, uma das mais importantes corridas de aviões do mundo. Foi Iscold quem fez as adaptações na aeronave do piloto.

A primeira patente a gente nunca esquece
A receita para matar a fome parece óbvia: uma cesta básica com arroz, feijão, fubá, óleo, farinha de trigo e vitaminas. Mas a ideia de processar todos esses alimentos e criar um composto capaz de combater a desnutrição infantil é mérito do médico imunologista Munir Chamone. Há exatos 25 anos, ele desenvolveu o Pão Forte, a primeira patente obtida pela UFMG. Hoje, 13 000 crianças de Minas e outros cinco estados são beneficiados com a mistura distribuída gratuitamente em postos de saúde e escolas públicas. “Vi pesquisadores passar anos analisando uma única célula no microscópio, mas eu quis ir para a rua, que funciona como um laboratório vivo, para estudar e propor soluções para a sociedade”, diz Chamone, que, mesmo depois da aposentadoria, não abandonou o projeto.

Uma Luta contra a dengue
Belo Horizonte terminou o mês de outubro com quase 3 000 casos de dengue registrados neste ano, e Minas ultrapassou a marca das 58 700 notificações. Se depender de uma tecnologia criada na UFMG, no entanto, tristes estatísticas como essas estão com os dias contados. A arma para o combate à doença é um tijolo quimicamente tratado que, em contato com a água e a luz solar, libera uma substância que impede a proliferação do mosquito Aedes aegypti. “Como o tijolo é poroso e capaz de flutuar, a proposta é colocar vários pedacinhos na caixa-d’água e nos vasos de planta para bloquear o desenvolvimento do inseto”, explica o químico Jadson Belchior, que registrou o pedido de patente do produto no país e no exterior. Depois da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o invento será testado na capital.

Gustavo Andrade/Odin

 

Nanopartículas para a indústria
Feixes de raios laser cruzam o Laboratório de Óptica e a forte luz azul ajuda o físico Marcos Assunção Pimenta a estudar, ao lado de um aparato de microscópios e lentes, o nanotubo de carbono – uma mínima fração de um átomo do elemento químico. “Analiso as características desse material que é 100 000 vezes mais fino que um fio de cabelo”, diz. O minucioso trabalho feito no departamento de física da UFMG rendeu à universidade a chance de sediar o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Nanomateriais de Carbono. Com o apoio de outros 54 cientistas de todo o país, Pimenta desenvolve, no câmpus Pampulha, novas formas de usar a partícula, que é mais resistente e mais leve que o aço, na construção civil e na indústria farmacêutica. “Queremos acabar com o abismo existente entre as pesquisas acadêmicas e o setor industrial”, afirma Pimenta.

O pulo do gato
Os duelos entre Tom e Jerry não seriam tão divertidos sem os inesquecíveis saltos do felino na tentativa de capturar o rato rival. Tampouco o Gato de Botas teria feito tanto sucesso sem sua habilidade de escapar das quedas de grandes alturas. Pois foi exatamente o segredo guardado dentro da delicada pata de um bichano que inspirou o engenheiro mecânico Marcos Pinotti a projetar o tênis Aerobase. Patenteado pelo Laboratório de Bioengenharia, o calçado rendeu à UFMG o primeiro cheque de royalties da sua história. “Uma empresa do polo calçadista de Nova Serrana está produzindo o tênis com o novo sistema de amortecimento, que já foi apresentado em dez países”, diz Pinotti, também criador de uma luva robotizada que lhe rendeu, há dois anos, o Prêmio Inovação do Ministério da Educação.

Por Glória Tupinambás
Fonte: Revista Veja BH
05/11/2014

 

Fundepar na Mídia

Laboratório foi feito com investimento



Com o investimento, a Fundepar passa a ser sócia da empresa

A empresa de biotecnologia Myleus, de Belo Horizonte, recebeu em julho deste ano um aporte de R$ 500 mil da Fundep Participações S.A. (Fundepar), subsidiária da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), ligada à UFMG. “O aporte serviu para construir um laboratório e contratar pessoal na área de marketing e comercial”, diz Marcela Gonçalves Drummond, presidente da Myleus. A única empresa brasileira que faz identificação de animais e vegetais por meio de análise genética atualmente é a Myleus.

Com o investimento, a Fundepar passa a ser sócia da empresa. “Nós acompanhamos a gestão no dia a dia da empresa, além de oferecer o networking da Fundep”, explica o diretor da Fundepar, Ramón Azevedo. O objetivo da Fundepar é ajudar que tecnologias desenvolvidas na UFMG se transformem em inovação no mercado. “O ‘know how’ em gestão e a rede de contatos ajudam muito”, confirma Marcela.

Por Ludmila Pizarro
Fonte: Jornal O Tempo
21/11/2014

Delegação russa visita UFMG para conhecer estrutura e processos de inovação



O ritmo de inovação alcançado nos últimos anos pelas universidades brasileiras e o sucesso que elas têm obtido na transferência de tecnologias para o mercado atraíram o olhar de pesquisadores, investidores e gestores públicos da Rússia que, nesta quinta-feira, 6, vão visitar a UFMG.

Composta de reitores de quatro universidades, investidores e de representantes de empresas e do governo, a comitiva também traz ao Brasil experiências que podem ser compartilhadas e gerar projetos conjuntos.

Depois de recebidos pela vice-reitora Sandra Goulart Almeida, os integrantes da delegação participarão de reuniões em três áreas. No campo estratégico, o grupo de investidores PBK, do governo russo, se reunirá com representantes da Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da UFMG e da Fundep Participações S.A. (Fundepar), entidade que apoia empresas emergentes inovadoras originadas de pesquisas realizadas na Universidade.

No âmbito acadêmico, reitores e pró-reitores, diretores de unidades acadêmicas e professores das instituições russas e da UFMG vão se reunir para discutir projetos com potencial significativo de interação.

Na área de negócios, uma equipe do Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BHTec) vai conversar com representantes de parques tecnológicos russos. O encontro também terá participação de empresas instaladas no BHTec cujos produtos possam interessar a empresas do país visitante.

À tarde, quando a comitiva estará na Cidade Administrativa, Mikhail Kasatkin, engenheiro-chefe da Scientific-Prodution Company (Saturn), empresa que produz motores de avião e de foguetes, e Dimitri Ivanov, chefe de inovação, farão palestras no câmpus Pampulha para alunos do curso de engenharia aeroespacial.

Uma semana no Brasil

Coordenada por Evgeniya Shamis, fundadora e diretora da empresa Sherpa S Pro, de Moscou, a delegação será recepcionada pelo professor Marcos Pinotti Barbosa, do Departamento de Engenharia Mecânica, que intermediou a visita.

A comitiva tem passado por diversos países e, na América Latina, escolheu o Brasil, onde permanecerá por uma semana em visita a três universidades: UFMG, USP e UFRJ.
Segundo Pinotti, a UFMG foi escolhida por ser uma das mais importantes universidades do Brasil e por seu modelo exemplar na área de inovação. “A UFMG chamou a atenção por ter todas as componentes da trajetória da inovação bem desenvolvidas: excelência acadêmica mundialmente reconhecida, a presença da CTIT, cujo trabalho se destaca no país, e de um parque tecnológico em crescimento, e, para fechar esse ciclo virtuoso da inovação, ainda tem a Fundepar, que financia empresas emergentes”, enumera o professor da Escola de Engenharia.

Pinotti explica que os visitantes querem saber quais desafios tiveram que ser vencidos para que a UFMG alcançasse alta taxa de transferência de tecnologia. “As universidades russas são muito parecidas com as nossas – públicas e geralmente divorciadas do setor industrial, barreira que a UFMG vem quebrando ao longo dos anos”, avalia o professor. De acordo com a CTIT, a UFMG é a maior depositante de patentes entre as universidades federais, com 650 depósitos – 20% dessas tecnologias são licenciadas.

As quatro universidades que compõem a comitiva foram indicadas pelo governo russo para receber mais financiamento em razão de seu potencial para subir nos rankings internacionais de instituições de ensino, ciência e tecnologia. São elas: Universidade Médica Estatal de Samara, Universidade Aeroespacial Estatal de Samara, Universidade Nacional de São Petersburgo – Tecnologias da informação, mecânica e ótica (IFMO) e Universidade Científica Tecnológica (Misis) de Moscou.

Pinotti comenta que um dos indicadores fundamentais para avançar em rankings é contar com a presença de professores estrangeiros, tema que também será objeto de negociação entre os participantes da reunião.

Fonte: Portal de Notícias da UFMG
04/11/2014

Fundepar na Mídia

Startup na academia



Empresa criada pela UFMG incentiva a transformação de pesquisas em negócios

A Universidade Federal de Minas Gerais começou a testar um novo modelo de financiamento de startups a serem formadas a partir dos trabalhos do meio acadêmico. A instituição selecionou dois empreendimentos que receberão cada um até 500 mil reais, por meio da participação acionária de uma companhia criada pela universidade, a Fundep Participações S.A. (Fundepar). Um acordo deve sair nos próximos dias. Uma delas é a Labfar, que desenvolve soluções farmacêuticas na área cardiovascular, e que surgiu sob a coordenação da UFMG. A outra é Myleus Biotecnologia, prestadora de serviços de análise de DNA, nascida em uma incubadora da federal mineira. Outras 33 propostas foram recebidas e estão em análise. “São todas as iniciativas que temos acompanhado há tempo”, diz Marco Crocco, presidente da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa da UFMG (Fundep).

Depois de participar de um evento no Reino Unido em 2010, Crocco voltou ao Brasil com a ideia: abrir uma empresa subordinada à universidade para participação minoritária no capital de companhias inovadoras. Foi o modelo que ele conheceu na viagem, ao ter contato com a Cambridge Enterprise, da Universidade de Cambridge, a Oxford Management, da Universidade de Oxford, e o Imperial College Business, ligado á Universidade de Londres. “O princípio é ter uma entidade privada para cuidar da relação entre a comunidade acadêmica e o mercado, algo muito problemático no Brasil”, diz Crocco, que atenta para o baixo número de patentes registradas no país como um reflexo dessa deficiência.

O retrato da inovação no Brasil é desalentador. Apesar de o País aparecer em 13º lugar no ranking mundial de artigos acadêmicos, ele é o último colocado entre os BRIC (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) em número de pedidos de patentes internacionais. Os investimentos privados em inovação representam apenas 0,55% do PIB nacional, atrás do volume aplicado pela esfera pública, de 0,61%.

A Fundepar foi lançada com um capital de 5 milhões constituído por meio de aporte da Fundep, e obteve recentemente contribuição de outros 6 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Está em curso ainda uma negociação para entrada de recursos do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O objetivo é levantar 50 milhões de reais em três anos.

A criação da empresa permitiu um passo além da atividade da Fundep, que é dar suporte ao pesquisador na busca de recursos com entidades fomentadoras, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “A Fundep faz toda a gestão financeira dos recursos captados para a pesquisa. Mas para criar uma startup era preciso mais, e esse será o papel da Fundepar”, diz o professor.

Segundo ele, o trabalho da Fundepar como sócia de empresas novatas será facilitado pela relação já estabelecida entre a universidade e os seus pesquisadores. “Essa é a diferença entre o nosso trabalho e os modelos tradicionais de financiamento no Brasil.” Para Crocco, um dos ruídos existentes no relacionamento entre academia e mercado é a diferença de ritmo. “Podemos ser mais pacientes no retorno do investimento, pois nossa ideia não é ter rentabilidade para aplicar em outra empresa logo. O nosso superávit será para a universidade.”

A distância entre os trabalhos desenvolvidos na academia e no setor privado é apontada com uma das principais dificuldades para aumentar os investimentos em inovação no Brasil. Devido ao tamanho do nó, em 2013 o governo federal criou a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), para estreitar o relacionamento. O primeiro edital para atrair instituições de pesquisa interessadas em trabalhar com a iniciativa privada tem previsão de ser lançado no primeiro semestre de 2014. Ele é parte do Inova Empresa, programa federal de incentivo aos investimentos em tecnologia que promete injetar 32 bilhões de reais no biênio 2013/2014, dos quais 22,7 bilhões representam dinheiro novo. Como resultado, espera-se aumentar o quadro de empresas inovadoras no país das 39,3 mil existentes em 2008 para 60 mil em 2014.

“Os esforços do governo têm sido importantes, mas temos uma carência de instrumentos para apoiar as empresas no momento do seu nascimento, como é o caso da Fundepar”, diz Crocco, que acredita que o modelo lançado pela UFMG deve ser multiplicado. Segundo o professor, outras instituições já o procuraram para conhecer a operação da empresa. “A própria iniciativa de colocar a universidade para ajudar a criação de startups já é inovadora”, diz o professor.

Por Samantha Maia
Fonte: Revista Carta Capital
22/01/2014

Fundepar na Mídia

Start ups da UFMG terão injeção de capital de empresa de participações



Fundep lançou a Fundepar, que tem fundo inicial de R$ 6 milhões para apoiar pesquisador empreendedor

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) terão, a partir do fim deste mês, um modelo diferenciado de financiamento para a implantação de empresas que vão comercializar produtos desenvolvidos a partir de patentes da instituição. Os recursos virão da Fundep Participações S/A (Fundepar), empresa privada criada pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) com capital de R$ 6 milhões com o objetivo de impulsionar as start ups que surgem na Universidade.

O capital inicial de R$ 6 milhões da Fundepar veio da emissão de debêntures (títulos de renda fixa) adquiridas pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep). Com o uso das debêntures, a Fundep não terá seu resultado afetado pelo desempenho da Fundepar, uma vez que esses títulos não constituem ações e não são contabilizados como participação societária.

Outros R$ 50 milhões poderão ser captados pela Fundepar. Entre as instituições que negociam com a Fundep o reforço do capital da Fundepar estão o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). “Duas dessas já confirmaram o interesse. O capital já está, inclusive, aprovado pelas diretorias das organizações”, adianta o presidente da (Fundep) Marco Crocco, sem revelar detalhes.

O valor máximo inicial a ser injetado em cada start up que cumprir os requisitos necessários para participar do programa será de R$ 500 mil. “As empresas devem possuir capacidade de desenvolver e comercializar os produtos patenteados”, afirma Crocco.

Como as start ups ainda não possuem histórico empresarial, dois comitês avaliarão a capacidade dos pesquisadores-empreendedores. De um lado, um comitê técnico fará a análise tecnológica do produto. De outro, uma equipe ficará responsável pela avaliação comercial.

“No caso do comitê tecnológico, os responsáveis avaliarão se a tecnologia a ser desenvolvida pela empresa é realmente inovadora, se a produção em escala é viável, se as características se manterão em produções comerciais, entre outras questões”, comenta Crocco.

Como funciona?
Financiamento de start ups da Fundepar

  1. Fundep adquire R$ 6 milhões em debêntures emitidas pela Fundepar. Os R$ 6 milhões obtidos com a emissão de debêntures constituem o capital de investimento da Fundepar
  2. Projetos de empresas que vão explorar patentes da UFMG são inscritos na Fundepar
  3. Dois comitês analisam as possibilidades de a start up viabilizar comercialmente os produtos.
  4. Propostas aprovadas podem receber até R$ 500 mil iniciais para implantar a empresa
  5. 5.       A Fundepar entra no negócio como sócia da start up, com máximo de 5% de participação
  6. A gestão da empresa é compartilhada entre a Fundepar e o empresário-pesquisador
  7. Caso a empresa seja bem sucedida a Fundepar pode vender sua participação e realizar lucros.

Saiba mais
Fundepar tem 26 consultas

Até o momento a Fundepar já recebeu consultas de 26 empresas que têm interesse em colocar no mercado produtos patenteados da UFMG que vão desde roupas que corrigem a postura até remédio para calvície.

Desses candidatos, dois estão em análise pelos comitês e devem ser conhecidos em 25 de novembro. Aqueles que não forem classificados nesta etapa continuam sendo assessorados pela Fundepar até que atinjam o ponto de maturação adequado. Por ano serão quatro chamadas de projetos.

Por Tatiana Moraes
Fonte: Jornal Hoje em Dia

05/11/2013        

Crescimento de startups torna Israel o país líder em progresso tecnológico



País ultrapassa Estados Unidos em produção de inovações

Israel se tornou o país das invenções. O país tem mais startups de tecnologia e profissionais de pesquisa e desenvolvimento do que qualquer outro país no mundo.

Avanços na tecnologia médica têm salvo vidas ao redor do mundo, incluindo a do ex-congressista americano Gabrielle Giffords, que recebeu uma moderna bandagem elástica em ferimentos na cabeça.

Segundo Marcella Rosen, autora do livro “Dynamo minúsculo: Como um dos menores países do mundo produz algumas de nossas mais importantes invenções”, as “invenções israelenses têm se proliferado e prosperado pelo mundo”.

Israel se tornou o país das invenções

Primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, participa da inauguração da última representação do Google para pesquisa e desenvolvimento em Tel Aviv

O exemplo do progresso tecnológico israelense pode ser visto na prática. Há poucas semanas o Google adquiriu o serviço israelense on-line de mapeamento Waze por 1,1 bilhões de dólares. A aquisição relembra o acordo de 1998, em que a America Online comprou o popular programa de mensagens instantâneas ICQ, da startup israelense Mirabilis, por cerca de 400 milhões de dólares.

Cerca de 63 empresas israelenses estão registradas na NASDAQ, o que garantiu ao país o topo da lista. Em Israel, 140 pessoas em cada 10 mil trabalham na área de pesquisa e desenvolvimento, uma vantagem considerável sobre os Estados Unidos, que vem em segundo lugar no mundo, com 85 pessoas por 10 mil trabalhadores.

No livro de Rosen, ela explora o sucesso de 21 invenções israelenses, incluindo a tecnologia de IceCure, um novo processo de remoção de tumores de mama.

De acordo com a publicação do The Economist, Israel tem mais startups de tecnologia e uma indústria de capital de risco com maior per capita do que qualquer outro país do mundo.

Motivo do crescimento israelense

Como é que um dos menores países do mundo está produzindo algumas das nossas mais importantes invenções? Rosen disse que a resposta não é simples, mas ela disse que grande parte da população imigrante do país, de mais de 70 nações, e as Forças de Defesa de Israel (IDF) estão relacionadas a esse nicho de mercado.

“Não acho que haja uma resposta, pelo menos não uma única resposta. Talvez os fatos simplesmente falem por si só”.

Dan Senor, um ex-oficial da política externa dos EUA, e Saul Singer, colunista do The Jerusalem Post, chamaram a política de imigração aberta de “fábrica de ideias”, em seu livro “Nação Start-up, A História do Milagre Econômico de Israel”.

“Os imigrantes não são avessos a começar do zero. Desde sobreviventes do Holocausto até judeus etíopes, o Estado de Israel nunca deixou de ser um país de imigração”, afirmam trechos da obra.

Senor e Singer também disseram que o IDF promove a criatividade e inteligência dos jovens que cumprem o serviço obrigatório por dois anos. Os escritores dizem que o serviço militar dá aos jovens um senso de responsabilidade. O pensamento criativo é estimulado no ambiente relativamente não-hierárquico.

Hezi Himmelfarb, CEO da IceCure, uma empresa israelense que desenvolveu tecnologia de ponta para a remoção de tumores de mama, também defende a atuação do serviço militar obrigatório israelense. Ele disse que o gosto pela aventura desenvolvido no IDF pode ajudar a expandir as mentes dos jovens: “Meu filho, após o serviço militar, não se apressou para a universidade. Ele voou para a América do Sul para experimentar novas aventuras”.

Exemplo de uma startup de sucesso

Himmelfarb explicou que o desenvolvimento da IceCure começou em uma incubadora de pesquisas em 2006. Cientistas iniciaram o método de congelamento de um tumor da mama utilizando gás arrefecido de alta pressão. Este método tinha sido utilizado desde os anos 1980, mas era necessário anestesia geral e a paciente sofria riscos de deformar a mama.

A startup substituiu o gás pelo azoto líquido, o que fez a diferença. Tornou-o compacto o suficiente para caber em um consultório médico e o paciente precisou passar apenas por uma anestesia local. O processo mata o tecido tumoral e “uma vez que ele está morto, o corpo sabe como se livrar dele”, disse ele.

Visão dos países vizinhos sobre o crescimento das startups israelenses

O ex-primeiro-ministro palestino Salam Fayyad guardou em sua mesa de trabalho um exemplar de “Start-up Nation” como uma fonte de inspiração para a crescente indústria de tecnologia da Cisjordânia.

Fareed Zakaria, do canal CNN disse que a obra “é um livro que cada empresário, burocrata e político árabe deve ler”. As linhas finais do livro destacam a importância da internacionalização do conhecimento tecnológico: “enquanto Israel tem muito a aprender com o mundo, o mundo tem muito a aprender com Israel”.

 

Por Marlene-Aviva Grunpeter
Fonte: Epoch Times em Português

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