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UFMG anuncia empresa de alta tecnologia e disponibiliza de imediato R$ 5 milhões



Na trilha de instituições internacionais como as britânicas Cambridge e Oxford, universidade mineira sai na frente e anuncia programa de investimento para empresas emergentes inovadoras

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Na trilha de instituições internacionais de ensino conceituadas, como as britânicas Cambridge e Oxford, que se apressaram em criar um braço comercial, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sai na frente e anuncia, via Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), o lançamento de programa de investimento para empresas emergentes inovadoras, por meio do qual vai disponibilizar, inicialmente, R$ 5 milhões em recursos próprios para criação e manutenção de empresas.

“Como é uma experiência nova e confiamos muito nela, temos de ter cautela”, pondera o professor Marco Aurélio Crocco Afonso, presidente da fundação. A expectativa dele é de expansão dos recursos logo depois que instituições públicas, como bancos e agências de fomento, com os quais já vem negociando, decidirem investir no projeto. No primeiro momento, o Programa de Investimento Fundep vai privilegiar entre quatro e cinco empresas das áreas de biotecnologia, nanotubos de carbono, fármacos, vacinas, tecnologia de informação e comunicação, engenharias e medicina veterinária entre as quais a UFMG mais distribui patentes. O programa, no entanto, não cria restrição setorial. O aporte será de, no máximo, R$ 500 mil, por empresa.

Trabalhando para que possam receber as primeiras propostas de criação de empresas neste início de ano, Marco Aurélio Crocco diz que além de formatar a equipe de trabalho eles estão criando a Fundep Participações S.A., empresa privada que receberá os recursos a serem aportados às candidatas ao posto de empresas emergentes inovadoras. “Nossa expectativa é que no prazo de três anos possamos captar novos parceiros, que investiriam cerca de R$ 25 milhões, totalizando R$ 30 milhões de recursos, por meio dos quais conseguiríamos aprovar até 3 mil novos projetos de empresas”, avalia Crocco.

Para o presidente da Fundep, incorporar conhecimento em produtos e processos pode gerar vantagens fundamentais para o processo de desenvolvimento. “Não diria que o conhecimento é um negócio, mas ele é fundamental para o desenvolvimento”, avalia ele, lembrando que a Região Metropolitana de Belo Horizonte é hoje destaque nacional nas áreas de biotecnologia e tecnologia da informação. “Somos a cidade com maior concentração de empresas de biotecnologia”, garante Crocco, reforçando o potencial de investimento na capital mineira. Como há um conceito por trás do programa criado pela fundação, o presidente da Fundep lembra que ele não é um fundo de investimento tradicional, cujo principal compromisso é com investidores.

“Nossa ideia é dar um passo além na relação universidade-empresa, que é algo difícil”, afirma. Para o professor, normalmente o pesquisador sabe fazer ciência. “A dificuldade dele reside no entendimento da linguagem do mercado”, diz, salientando que a Fundep, por gerenciar todos os projetos de pesquisa dentro da UFMG, tem know-how próprio no setor. “A vantagem é que nós já conhecemos os pesquisadores há muito tempo”, acrescenta. E admite que o compromisso da fundação não é com a rentabilidade do negócio. “Nós apenas entramos com o capital e a gestão.”

Sociedade será beneficiada

O objetivo do projeto é facilitar a transmissão para a sociedade do conhecimento produzido na universidade, por intermédio de uma empresa que vai cuidar da fabricação de algo. “Não estamos inventando um modelo. Trata-se de algo já existente nas principais universidades britânicas, que têm um braço comercial para investir em empresas emergentes. Estamos apenas adaptando modelos europeus à realidade brasileira”, reconhece Marco Aurélio Crocco. Daí o pioneirismo do projeto no Brasil, onde até agora há apenas agências de investimento que servem de ponte entre investidores e professores/pesquisadores em instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Campinas (Unicamp), para ficar em dois exemplos.

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“Como a experiência é nova, temos de ter cautela”, diz presidente da Fundep

“Nosso modelo difere daquele não só no contato com os investidores, mas também com os sócios da empresa. Temos melhores condições para facilitar o diálogo. O professor/pesquisador não vai sozinho discutir com experts do mercado financeiro”, compara. Segundo Marco Aurélio Crocco, a modalidade do investimento será o seed money (capital semente) e este não será a principal ou única fonte financiadora das empresas, tornando-se apenas parte da solução de viabilidade empresarial de pesquisas desenvolvidas no âmbito da UFMG. Já a seleção das empresas será feita por meio de edital de fluxo contínuo. A partir deste mês, as propostas poderão ser enviadas à fundação para os comitês (científico-tecnológico e de investimentos) analisarem o potencial científico-tecnológico e o mérito empresarial, mercadológico, econômico e financeiro delas.

Saiba mais: A Fundep

Responsável por projetos de ensino, pesquisa e extensão em várias áreas da UFMG, a Fundep tem atualmente, em sua sede no câmpus Pampulha, 280 funcionários, tendo gerenciado R$ 550 milhões em projetos novos apenas no ano passado. Além da sede, a fundação administra obras da UFMG e o Hospital Risoleta Neves, por acordo firmado com o município, contabilizando, portanto, cerca de 5 mil pessoas sob o CNPJ da instituição. Só na UFMG são cerca de 3,5 mil projetos, além de mais de 500 em escolas como a Universidade do ABC, Instituto Nacional de Tecnologia e Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Com o governo do estado a Fundep desenvolve projetos como o Projovem e o Fica Vivo. Em 38 anos de atividades, a serem completados no mês que vem, a fundação atendeu prioritariamente a UFMG, como ocorre agora com o novo projeto, cuja estrutura inicial, enxuta, envolve o trabalho de quatro funcionários da própria Fundep.

Como se candidatar Veja o perfil inicial do projeto

-R$ 5 milhões de capital inicial (recursos próprios)
-Modalidade: venture capital (seed money)
-Prazo médio de maturação estimado: de 2 a 5 anos/projeto/empresa
-Prazo de duração do programa: indeterminado (mínimo de 10 anos)
-A seleção de projetos será por meio de edital, com aporte inicial de até R$ 500 mil, por empresa
-Aporte total: limitado por empresa/projeto a 20% do capital disponível para investimento
-Limite por CPF: investimentos limitados a 20% do patrimônio líquido do CPF
-A captação de recursos será feita por meio de emissão de debêntures pela Fundep Participações S. A. ou emissão de ações em holdings, em sociedade com parceiros institucionais
-Captação junto a parceiros: até R$ 50 milhões

Por Ailton Magioli
Fonte: Jornal Estado de Minas
03/02/2013

Fundepar na Mídia

Start ups da UFMG terão injeção de capital de empresa de participações



Fundep lançou a Fundepar, que tem fundo inicial de R$ 6 milhões para apoiar pesquisador empreendedor

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) terão, a partir do fim deste mês, um modelo diferenciado de financiamento para a implantação de empresas que vão comercializar produtos desenvolvidos a partir de patentes da instituição. Os recursos virão da Fundep Participações S/A (Fundepar), empresa privada criada pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) com capital de R$ 6 milhões com o objetivo de impulsionar as start ups que surgem na Universidade.

O capital inicial de R$ 6 milhões da Fundepar veio da emissão de debêntures (títulos de renda fixa) adquiridas pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep). Com o uso das debêntures, a Fundep não terá seu resultado afetado pelo desempenho da Fundepar, uma vez que esses títulos não constituem ações e não são contabilizados como participação societária.

Outros R$ 50 milhões poderão ser captados pela Fundepar. Entre as instituições que negociam com a Fundep o reforço do capital da Fundepar estão o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). “Duas dessas já confirmaram o interesse. O capital já está, inclusive, aprovado pelas diretorias das organizações”, adianta o presidente da (Fundep) Marco Crocco, sem revelar detalhes.

O valor máximo inicial a ser injetado em cada start up que cumprir os requisitos necessários para participar do programa será de R$ 500 mil. “As empresas devem possuir capacidade de desenvolver e comercializar os produtos patenteados”, afirma Crocco.

Como as start ups ainda não possuem histórico empresarial, dois comitês avaliarão a capacidade dos pesquisadores-empreendedores. De um lado, um comitê técnico fará a análise tecnológica do produto. De outro, uma equipe ficará responsável pela avaliação comercial.

“No caso do comitê tecnológico, os responsáveis avaliarão se a tecnologia a ser desenvolvida pela empresa é realmente inovadora, se a produção em escala é viável, se as características se manterão em produções comerciais, entre outras questões”, comenta Crocco.

Como funciona?
Financiamento de start ups da Fundepar

  1. Fundep adquire R$ 6 milhões em debêntures emitidas pela Fundepar. Os R$ 6 milhões obtidos com a emissão de debêntures constituem o capital de investimento da Fundepar
  2. Projetos de empresas que vão explorar patentes da UFMG são inscritos na Fundepar
  3. Dois comitês analisam as possibilidades de a start up viabilizar comercialmente os produtos.
  4. Propostas aprovadas podem receber até R$ 500 mil iniciais para implantar a empresa
  5. 5.       A Fundepar entra no negócio como sócia da start up, com máximo de 5% de participação
  6. A gestão da empresa é compartilhada entre a Fundepar e o empresário-pesquisador
  7. Caso a empresa seja bem sucedida a Fundepar pode vender sua participação e realizar lucros.

Saiba mais
Fundepar tem 26 consultas

Até o momento a Fundepar já recebeu consultas de 26 empresas que têm interesse em colocar no mercado produtos patenteados da UFMG que vão desde roupas que corrigem a postura até remédio para calvície.

Desses candidatos, dois estão em análise pelos comitês e devem ser conhecidos em 25 de novembro. Aqueles que não forem classificados nesta etapa continuam sendo assessorados pela Fundepar até que atinjam o ponto de maturação adequado. Por ano serão quatro chamadas de projetos.

Por Tatiana Moraes
Fonte: Jornal Hoje em Dia

05/11/2013        

Fundepar na Mídia

Inovadora



Após uma visita a Cambridge, Marco Crocco, que é presidente da Fundep (Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa, da Universidade Federal de Minas Gerais), inspirou-se no modelo inglês para estimular a criação de pequenas empresas de alto conteúdo tecnológico, a partir de patentes geradas por pesquisadores da universidade. A Fundação formou uma empresa de participações que destina o valor máximo de R$ 500 mil a essas companhias nascentes, depois que um comitê de primeiro time de pesquisadores chancela a viabilidade científica ou técnica do processo patenteado. Crocco diz que é um trabalho equivalente a “vestir a noiva”, para que a empresa desabroche e logo à frente encontre investidores que não teriam paciência de esperar pela germinação. Agora está batendo à porta de instituições como o BNDES, a Finep e o BDMG para conquistar parceiros desse projeto. Universidades geralmente têm incubadeiras de empresas, mas não participam, direta ou indiretamente, do capital delas.

 

Por George Vidor
Fonte: Jornal O Globo
07/10/2013

 

 

 

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Fundep lança Programa de Investimento



Iniciativa é voltada para empresas emergentes inovadoras da UFMG
Ineditismo: é a primeira fundação de apoio do Brasil a investir capital próprio
Diferencial: empreendimentos vão contar com a excelência da gestão Fundep

Transformar o conhecimento gerado em uma das mais importantes universidades do país em empreendimento comercializável. Essa é a essência do Programa de Investimento Fundep para Empresas Emergentes Inovadoras da UFMG. A fundação vai aportar recursos próprios - por meio da Fundep Participações S.A. - em projetos de professores e pesquisadores da Universidade, para estruturação de empresas start ups para a comercialização de inovações.

A modalidade do investimento é o seed money (capital semente) e ele não será a fonte financiadora principal ou única das empresas, tornando-se apenas parte da solução de viabilidade empresarial de pesquisas desenvolvidas no âmbito da UFMG. Inicialmente, o programa contará apenas com recursos próprios, mas já existem tratativas para que outros parceiros institucionais integrem o programa.

Diferencial

Há mais de 35 anos, a Fundep atua como fundação de apoio da UFMG e de renomados institutos e centros de pesquisa do país. A instituição realiza a gestão de projetos em todas as áreas do conhecimento, permitindo que pesquisadores e professores foquem nas suas atribuições, enquanto a organização realiza ações administrativas e financeiras, como compras, importações, contratação de pessoal, contabilidade e prestação de contas.
As soluções na gestão de projetos Fundep também se estenderão aos empreendimentos, sendo um diferencial intangível no processo de valorização das empresas que vierem a receber investimentos.

A expertise e a relação de confiança com professores e pesquisadores da UFMG - que são grandes patenteadores - tornam-se aliadas, possibilitando que a Fundep aprimore o diálogo entre academia e mercado. É exatamente essa relação de confiança já existente entre a Fundação e os pesquisadores que promove um grande diferencial em relação aos Fundos de Seed Money tradicionais do mercado.

Formato

A seleção das empresas será por meio de edital de fluxo contínuo. A partir de fevereiro de 2013, as propostas poderão ser enviadas, e os comitês vão analisar o seu potencial científico-tecnológico e o mérito empresarial, mercadológico, econômico e financeiro.

Contexto

O Programa de Investimento Fundep acompanha as políticas internacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação. As universidades da Europa, em especial do Reino Unido, possuem um braço comercial que negocia patentes e financia empresas emergentes. A Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da UFMG atua na gestão do conhecimento científico e tecnológico e a Fundep vai colaborar no processo de transformação de patentes em atividade comercial, através do aporte de recursos. Assim, a Fundação tem uma nova função no ciclo “conhecimento gera desenvolvimento para a sociedade”.

Nesse sentido, a UFMG potencializa a sua missão de transmitir conhecimento, aperfeiçoando a relação universidade/empresa, aspecto central para o desenvolvimento de uma economia baseada no conhecimento.

RAIO X

Programa de Investimento ≠ Incubação

Aincubação consiste em oferecer apoio à criação, ao desenvolvimento e ao aprimoramento nos aspectos tecnológicos e gerenciais. O Programa de Investimento vai aportar recursos nas empresas e fará a interlocução com o mercado. Nesse sentido, uma empresa incubada pode estar apta a participar da iniciativa.

Programa de Investimento ≠ Empréstimo

Inicialmente, a Fundep investirá R$ 5 milhões, sendo o aporte inicial de até R$ 500 mil por empresa, em participações societárias (ações de S.A. e/ou cotas de Ltda.), também denominado equity, e ou em debêntures, a serem emitidas pelas empresas a receber investimento para sua viabilização. Assim, a Fundep Participações S.A. torna-se sócia do empreendimento.

Duração

O período de duração do Programa é indeterminado, e o prazo médio de maturação estimado é de dois a cinco anos.

Fonte: Portal de notícias da UFMG

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Incentivo de R$ 5 milhões para pesquisa virar negócio



 

Incentivo de R$ 5 milhões para pesquisa virar negócio

Marco Aurélio Crocco, presidente da Fundep: investidores não entendem a dinâmica das pesquisas – Foto: Carlos Roberto

 

A Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), entidade privada sem fins lucrativos, vai aportar recursos próprios para viabilizar projetos de professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Inicialmente estão reservados R$ 5 milhões, sendo R$ 500 mil por projeto. Para isso foi criada uma nova empresa com este único fim, a Fundep Participações S.A.

O objetivo é o de a empresa criada gerenciar a parte comercial, administrativa e financeira e manter o pesquisador em seu foco, que é a própria pesquisa. A ideia foi adaptada de modelos britânicos.

A expectativa é a de constituir entre 3 e 4 empresas no primeiro ano de operação. A demanda imediata é de cerca de 20 projetos, oriundos das áreas de excelência da universidade, como nanotubos de carbono, biotecnologia e medicina molecular.

O presidente da Fundep, Marco Aurélio Crocco, explica que a seleção dos projetos passará por critérios científicos e financeiros. “Após apresentada a proposta, um comitê avaliará a viabilidade tecnológica e um outro, a viabilidade econômica. Estamos investindo recursos próprios e os negócios precisam ser rentáveis”, diz.

Atualmente, o pesquisador vai atrás de investidores para financiar seu projeto. O investidor não entende a dinâmica das pesquisas e isso gera uma desconfiança mútua, diz Crocco. “Os professores da UFMG já conhecem e são conhecidos pela Fundep. Sabemos como isso funciona”, observa.

O investimento da Fundep se transformará em participação societária (ações de S.A. e/ou cotas de Ltda.), também denominado equity. Também poderá ser garantido por debêntures a serem emitidas pelas empresas apoiadas.

Por Bruno Porto
Fonte: Jornal Hoje em Dia
15/12/2012

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UFMG bate recorde de descobertas patenteadas



Pesquisadores da UFMG obtiveram patentes para 76 descobertas científicas só em 2012, e desde 1992 elas já somam 582, a maioria nas áreas de exatas, engenharia e biologia

Nanotubo de Carbono

Nanotubo de carbono dopado, tecnologia que permite a análise de poluentes da água de forma mais rápida e econômica / Foto: Marcos Michelin/EM/D.A. Press

Belo Horizonte pode se orgulhar de ter um centro de excelência científica. Ele fica na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em seu campus na Região da Pampulha, e bateu em 2012 mais um recorde: foram 76 descobertas patenteadas, um número que vem crescendo desde 1992, quando a primeira foi registrada. A instituição acumula 582 patentes, das quais a maioria foi produzida no Instituto de Ciências Exatas (167), na Escola de Engenharia (158) e no Instituto de Ciências Biológicas (184). A geração de tecnologia para o mercado, nos últimos três anos, superou o número do restante da história da universidade. Ao todo, são 100 contratos de transferência de produtos. Isso tudo faz da instituição uma das três maiores geradoras de tecnologia do país, ao lado da Universidade de São Paulo (USP) e da Petrobras. ”Temos um potencial de 250 patentes por ano que ainda está sendo explorado. A UFMG tem interagido cada vez mais com empresas em um projeto de incentivo à propriedade intelectual”, explica o pró-reitor de pesquisa Renato de Lima Santos. Segundo ele, a cultura de inovação ainda é embrionária no país, já que em 1980 Brasil e Coreia do Sul tinham 150 patentes por ano. Em 2010, o país asiático registrou 25 mil, enquanto os brasileiros tiveram apenas 499.

Mas nunca se produziu tanto na UFMG, segundo Santos, que atribui ao avanço da pós-graduação as condições para a ciência crescer no estado. Outro indicador dessa melhoria são artigos publicados, trabalhos aceitos para publicação e livros e capítulos escritos, que somaram 6.641 no ano passado. Contando com pesquisas divulgadas em revistas, jornais e congressos, são 13 mil publicações anualmente. ”A pós-graduação tem se consolidado de forma marcante. Dos programas de doutorado, 45% têm conceito 6 ou 7 pela avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o mais alto possível, o que indica o nível internacional dos projetos”, explica. Atualmente, a UFMG é responsável por 5,5% da produção científica brasileira. Há 800 grupos de pesquisas, distribuídos por 2.916 professores e 554 laboratórios.

De lá saem tecnologias que possibilitam novos rumos no país, como a descoberta da pós-doutora e professora do ICB Maria de Fátima Leite, que possibilitou revoluções na área da saúde. Em 2003, encontrou uma nova estrutura no núcleo da célula do fígado, responsável pela regeneração. O estudo se tornou referência mundial e ajudou no desenvolvimento de novos tratamentos para o melanoma, isquemia e câncer de pescoço e cabeça. Quanto ao último, já está em teste uma radioterapia com menor nível de radiação, o que trouxe mais qualidade de vida para o paciente.

Desafio

Na Escola de Engenharia, o novo desafio é projetar o sistema computacional do primeiro motor a álcool do mundo. O projeto, coordenado pelo professor Ramon Molina, doutor em engenharia mecânica, prevê a redução de emissão de poluentes e consumo. Com a previsão de chegada ao mercado, em carros populares, em até três anos, o novo motor será de baixa cilindrada e deve se igualar à eficiência do motor a diesel.

Também com um viés sustentável, o Departamento de Química é pioneiro em pesquisas aplicadas ao mercado. Dois projetos do laboratório foram primeiro e terceiro lugares geral de um prêmio internacional neste ano. O vencedor é um catalisador que transforma óleo de fritura em biodiesel. Primeiro no mundo, ele barateia o combustível e acha um uso para um produto que não tem aplicação e é considerado nocivo ao meio ambiente.

Reconhecimento em várias frentes

Prioridade para a saúde

Professora Maria de Fátima Leite

Professora Maria de Fátima Leite tem pesquisa premiada sobre cálcio / Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press

Entre microscópios, tubos de ensaio e substâncias coloridas, o que chama atenção no Laboratório de Sinalização de Cálcio do Instituto de Ciências Biológicas são as garrafas de champanhe. Diversas delas agrupadas em uma prateleira, com etiquetas referentes a descobertas científicas. ”Faço questão de comemorar a boa notícia. Se publicamos um artigo em uma revista importante do ramo, abrimos um champanhe”, conta a coordenadora do grupo, Maria de Fátima Leite. Aos 47 anos, pós-doutora pela Escola de Medicina da Universidade de Yale, nos EUA, ela descobriu novas tecnologias na saúde. Ao pesquisar o cálcio, que regula todas as funções do corpo, descobriu no núcleo da célula do fígado uma nova estrutura chamada organela, que armazena a substância e é responsável pela regeneração do órgão. O retículo nucleoplasmático foi incluído nos livros de biologia em 2003. O estudo se tornou referência mundial e ajudou no desenvolvimento de novos tratamentos para o melanoma, isquemia e câncer de pescoço e cabeça. Fátima tem uma bolsa de estudos na Howard Huges, que investiga como o cálcio regula a regeneração do fígado, o que pode auxiliar no entendimento de tumores. ”As descobertas mais legais são as inesperadas. O segredo é não desvalorizar o acaso”, conta Fátima, que encontra tempo para almoçar com o filho de oito anos todos os dias. ”Só tem sucesso quem tem balanço na vida, não o vício em trabalho. Aqui é muito intenso. A pesquisa por si só é frustrante. Cerca de 80% do que se faz dá errado. Tem que saber lidar e ter persistência”, diz.

Maratonista tecnológico

Aluir Dias

Pós-doutorando em química, Aluir Dias tem prêmios internacionais / Foto: Marcos Michelin/EM/D.A. Press

Até o Natal, Aluir Dias só tem um fim de semana livre para descansar. A maratona de atividades faz parte de um grande desafio: acabar com os obstáculos entre a universidade e o mercado, ambientes onde as linguagens são totalmente diferentes. Pós-doutorando em química aos 33 anos, ele já acumula funções importantes na UFMG. É coordenador do setor de empreendedorismo, coordenador da incubadora de empresas e professor voluntário. ”Muitas vezes, o pesquisador tem uma ideia com potencial, mas não sabe como transformá-la em uma empresa. Nosso papel é pegar esse conhecimento e levar para o mercado”, conta. Não é à toa que o Grupo de Tecnologias Ambientais (GTA) do Departamento de Química trabalha com pesquisas aplicadas no viés mercadológico. Dois projetos do laboratório foram primeiro e terceiro lugares geral de um prêmio internacional este ano. Um deles faz parte da pesquisa de pós-doutorado de Dias, o nanotubo de carbono dopado, uma tecnologia que permite a análise de poluentes da água de forma mais rápida e econômica. Foram sete meses de estudo na França para entender o desenvolvimento do equipamento, que atrai os contaminantes dos fluentes por magnetismo. O outro é o supressor de poeira feito a partir de um resíduo do biodiesel que antes não tinha aplicação e é considerado um passivo ambiental no setor de mineração. Outra pesquisa envolve o catalisador que transforma óleo de fritura em biodiesel, o primeiro no mundo, que barateia o combustível.

Atrás de um motor inédito

Professor Ramon Molina

Ramon Molina coordena o Centro de Tecnologia da Mobilidade / Foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A. Press

Criar o primeiro motor a álcool do mundo. Esse é o atual desafio do Centro de Tecnologia da Mobilidade (CTM) da Escola de Engenharia. O modelo computacional desenvolvido especificamente com base no etanol é resultado de uma parceria da UFMG com uma montadora de veículos italiana, que investirá R$ 1,8 milhão na pesquisa. Quem coordena o projeto é o professor Ramon Molina, doutor em engenharia mecânica, que vê um grande potencial no combustível para redução de emissão de poluentes e consumo. Segundo ele, a expectativa é de que o novo motor, de baixa cilindrada, ganhe 10% em eficiência e fique no nível do motores a diesel. Depois que a equipe de Molina, composta por alunos de graduação, mestrado e doutorado, desenvolver o sistema no computador, ele será entregue à montadora, que pretende substituir os motores de carros populares. Em três anos, a tecnologia pode estar inserida no mercado. ”No futuro, os motores serão todos 1.0 para baixo e turbinados”, prevê. Nascido em El Salvador, na América Central, Molina veio em 1974 para o Brasil, onde se formou em engenharia química e fez o mestrado na UFMG e o doutorado em Santa Catarina. Montou o laboratório na UFMG e, aos 60 anos, administra o CMT. Atualmente, seis grandes projetos estão em curso, em parceria com empresas como Petrobras e Vale. Molina dá aulas para cinco turmas e participa de orientações e bancas mundo afora. Ele chega às 8h ao centro, do qual só sai às 22h30. ”Muitos perguntam o que a gente faz aqui o dia inteiro. Quem está aqui é porque gosta mesmo. Tiro férias só para constar”, diz.

Por Juliana Ferreira
Fonte: Jornal Estado de Minas

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